Momentos. Reminiscências. Vivências. Sentimentos. Lugares. Pessoas. Músicas. Poesias. Livros.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Sobre coisas e coisinhas...


Tenho mania de escrever bilhetinhos. Escrevi pra cada filha um caderno - com textos meus, poemas, trechos de autores que gosto, cartõezinhos... e estou escrevendo outro pra outra pessoa a quem amo. Gosto de fazer cartões, escrever cartas, fazer pequenos mimos. Gosto de mostrar às pessoas o meu amor. Gosto de guardar pequenas lembranças. Tenho, como todo mundo, uma caixa de guardados. Melhor, várias. Tenho uma onde guardo todos os bilhetinhos, cartões, cartas que meus filhos me fizeram ao longo da vida. Tenho outra onde guardo todas as cartas de Lylia. Tenho ainda uma onde guardo os cartões do meu amor. Também outra em que guardo bilhetes, cartões, cartas de outras pessoas: um bilhetinho de Maria Teresa, ainda da faculdade, muito lindinho; um de Lucius, meu amigo de coração azul; e uma carta colagem de BobJunior. E um poema de Mondini. E guardo na lembrança uma caixa virtual, já que a real está perdida no espaço e no tempo, que traz ainda outros telegramas, cartões, bilhetinhos, papéis de bombons, flores secas: de Maria José, de Luciana, de Vó Cecília, de Rose, de Zildinha, de tanta gente que mora no meu coração! ... Hoje descubro um site que fala com propriedade o porque gosto de guardar tudo isto: http://layoutmann.blogspot.com/2009/10/papeis-revirados.html ... Gostei do texto - e de descobrir alguém que sente a mesma falta que eu.

sábado, outubro 10, 2009




"Tenho fases, como a lua: fases de ser sozinha, fases de ser só tua."
Cecília Meireles

quinta-feira, outubro 08, 2009

terça-feira, setembro 22, 2009

O mundo precisa ser mesmo assim?

A gente reclama, reclama, e não muda, não faz nada no sentido de alterar mesmo algo pequeno... porque as grandes mudanças começam, sim, por pequenas coisas - por mais que digam que não. Se a família tá toda espalhada, se os amigos estão um em cada canto, o que se pode fazer?? Impossível, por mais que se queira, juntar todos e seus interesses diversos, pessoais e coletivos, num único lugar - então, porque cargas d'água insistir em sofrer com isso????
A morte traz uma nova perspectiva da vida.
Acho que nunca, em tempo algum, senti-me assim tão frágil e desprotegida. A consciência inequívoca de que não tenho mais o colo de meu pai para me abrigar, seja em qualquer circunstância, dói em meu coração uma dor tão imensa, tão profunda, tão persistente e permanente que não sei nominar, não posso explicar Antes, ainda que doente e debilitado, ele estava lá. Sua figura era um porto seguro em tempestades inesperadas - e saber que agora, mesmo que o mundo caia sobre minha cabeça não terei sua presença, seu colo como referência de segurança e paz, saber isto com esta certeza plácida e imutável, dói.
A morte traz uma nova perspectiva da vida.
Penso em minha mãe, tão distante de mim. Penso em meus filhos, mais distantes ainda. E em meus irmãos, idem. De que adiantam os dias se estou longe de minhas raízes, meus alicerces, meus entes mais queridos? De que vale o amor do meu companheiro, de que vale o sol e o mar da Bahia, se não tenho comigo as presenças que validam minha vida?
Ligo para Vera, preciso conversar. O melhor de tudo é que não é necessário me identificar, nunca. Ela sempre reconhece minha voz, sempre sabe que sou eu - mas hoje, entre panos e cenários e coisas de teatro (tem uma apresentação e tudo está, invariavelmente, atrasado. E sob sua coordenação - que consciente ou não, traz pra si a responsabilidade de que tudo saia bem.) atende resfolegante, e nem estranha que eu ligue após tanto tempo sem notícias 'palpáveis', e conversamos como se nos tivéssemos falado ontem a noite - mas ela não pergunta, e eu me calo. Sabemos, ambas, que se liguei é porque a saudade era insuportável ou porque precisava desesperadamente conversar. Mas seu tempo, hoje, não era passível de pequenos furtos para mim - o que me faz pensar, mais e mais, no sentido da vida, no que faz diferença, no que tem real valor. Para quem mais, Deus, eu poderia ligar? Cloé, que vi ainda ontem, e que está envolvida em seus problemas tão mais tangíveis do que os meus? Como despejar no colo de minha amiga pré sexagenária meus anseios, minhas dúvidas, meus medos, minhas insatisfações, minhas incoerências e absurdas carências??? Lylia, tão longe, e tão longe...??? Como ligar para de repente, e transatlanticamente despejar sobre si minha incompletude, minha finitude, minha indefível busca por algo que nem mesmo sei o que é? Cláudia, que também conhece esta minha sensação de infinita busca e insatisfação??? Melhor calar. Melhor guardar pra mim isto que nem mesmo sei definir, e que me hoje me consome sem que possa amenizar seu efeito, sua dor, sua marca.
A morte traz uma nova perspectiva sobre a vida.

domingo, setembro 20, 2009

Do fundo do baú...


Sobrevivem em mim
sonhos de infância
(renitentes)
de ser feliz.
Pelejam emoções diversas.
Ainda que capenga,
a alegria (resiliente)
não se entrega.
Permanecem ilusões
(sentimentos rotos)
de inocência, pureza,
amizade azul.
Sonhos, quantos assassinados!
No preciso instante
em que os abandonei
pela vida direita,
respeitável e digna,
de gente grande.
Sei que, procurando bem,
hei de adivinhar algum
solitário
insolente
à espera do herói
que o virá libertar
de sua prisão.
Vã ilusão.
Coragem (ousadia?)
não vem à cavalo.
Não é príncipe encantado
que vence os dragões
as bruxas
os perigos e sortilégios.
Coragem é herói solitário.
Nasce
e cresce
em cada um.
E meu sonho
-sobrevivente-
se mantém
à espera do dia
em que
eu permita crescer
tal herói em mim.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Desabafo (pequeno, pro tanto que eu gostaria de falar)


Na segunda feira, depois de estar longe da net por todo o fim de semana, começo a ler o post no Pipoca e Coca Cola, que penso a princípio ser da primogênita - a caçula tem deixado o barco à deriva. Mas aos poucos vou me tocando que não - é Maya quem escreve sobre Escolhas e Responsabilidades - um texto grande, que não me surpreende (é típico dela esta maturidade e estes questionamentos), que me deixa curiosa (sobre o fim de semana interessante e conversas e constatações), me encanta (Não quero mais fazer promessas. Eu vou tentar...), me faz questionar meu papel de mãe/educadora/mentora/amiga/companheira/... (E é exatamente disto que eu estou falando: de responsabilidade... E é aqui que eu encaixo a palavra que realmente falta na minha vida: disciplina), me faz pensar. Propositalmente não faço comentários.
Vou ao google buscar algo que li há algum tempo, e que alguém, em algum lugar, me havia comentado, que é a questão de interesse em muitas coisas, curiosidade em saber, ânsia por conhecer simplemente para saber, de inteligências múltiplas e não encontro. Mas penso em tantas vezes que tanta gente elogiou minha filha e sua inteligência, e penso na dificuldade em "escolher" um caminho profissional - tantas as áreas afins, penso na facilidade em aprender e assimilar conceitos e conteúdos de difícil compreensão para os colegas da mesma idade... e lembro de um papo com César, ex-professor seu, no almoço do meu aniversário: "o Fulano (professor de matemática) ficava muito indignado! Ele chegava pra mim e dizia: Cesar, é impossível! Faço uma prova super difícil pra pegar aquela menina prepotente e ferro toda a sala, mas ela se sai bem, não acredito!"
E aqui entra a segunda parte do que quero falar.
Leio hoje o desabafo no Insensato Pensamento, e me questiono sobre o que originou este post (Eu não me acho superior a ninguém). E penso na pessoas que tantas vezes não entendem as outras. Ou tem dificuldade em simplesmente aceitar aquilo que está além do seu entendimento. Ou tem ciúmes/inveja/medo do que não compreendem/sentem/conhecem. Se você tem sede de saber apenas por curiosidade, por saber, você é prepotente. Se você tem facilidade em aprender, você é arrogante. Se você se questiona sobre o mundo como é e pra onde vai, você é soberbo. Se você não gosta de arroz e feijão como todo mundo, você é metido. Se você não segue o fluxo e questiona, você é insolente. Se você tem idéias próprias, você é pomposo. Se você gosta de ler e foge do lugar comum, você é metido. Se você, além de tudo isto é bonito (mesmo que não seja a Angelina ou a Halle ou a ZetaJones) e pertence a uma família de nível intelectual/cultural/econômico um pouco (só um pouco) acima da média e ainda por cima comete o pecado de ser amado e aceito incondicionalmente por esta família, aí, meu caro, você é inaceitável.
E de alguma maneira tem que ser perseguido, combatido, aniquilado, reduzido a pó. Não, isto não faz com que estas pessoas se tornem mais inteligentes, mais cultas, mais conscientes, mais ecologica/politicamente corretas - mas faz com que elas não vejam através de você a pequenez de si mesmas, a mesquinhez em que estão mergulhadas, o egoísmo em que se deixam absorver, a inércia de seus sentimentos, a mediocridade de suas vidas.
Por isto urge diminuir através de comentários maldosos, brincadeiras mesquinhas, atitudes desprezíveis e pequenas o que você é - porque é inadmissível que você seja assim só pelo prazer de ser você mesma e ter seu lugar no mundo. É inadmissível que você possa pensar em ser feliz enquanto estas pessoas de mente tacanha não conseguem vislumbrar em suas vidinhas parvas um caminho pra si mesmas.
E fico triste ao pensar que estas pessoas conseguem despertar estes sentimentos (Eu sinceramente não queria ser assim/ Eu gostaria de ser alguém normal/quanto mais eu me procuro, mais decepcionada eu fico, e minha tristeza é real/ eu fico colocando e tirando tantas máscaras diferentes o tempo todo que eu nem sei qual é a minha verdadeira identidade). A mim, o que me preocupa, é que pessoas especiais não tenham consciência de que o são. Preocupa-me que pessoas menores influam em pessoas maiores (principalmente quando a grandeza está na inconsciência deste fato). Preocupa-me, muito, que pessoas que sabem que a verdade de cada um é única, indivisível, impermanente e mutável tenham suas convicções abaladas pela massa dos lugares comuns - porquê apesar de o mundo ser movido pela massa, são os indivíduos que fazem a diferença. E por mais que corra o risco de me imputarem soberba, confesso aos quatro ventos em letras maiúsculas e megafones virtuais o orgulho imensurável do ser humano benignamente sobranceiro que minha caçula é - por mais que algumas almas sujas tentem convencê-la do contrário. E tenho dito.
(Maya, não me venha com churumelas: tá te faltando colo de mãe pra você lembrar o ser especial que é. Tô chegando!!!)

sexta-feira, setembro 11, 2009

Cotidiano, again


Chego em casa, sempre, depois das sete. Tá, às vezes, mais raramente agora, depois das nove.
Aí vem todo o ritual particular: tirar a roupa; ligar o som (nos últimos dias, IRA. Mas pode ser Ney Matogrosso, Maria Rita, Vitor e Leo, Legião, quase tudo - menos pagode ou qualquer outra música baiana, e rock pesado); me jogar no sofá olhando uma revista ou um livro; tomar banho; providenciar comida; assistir aos últimos capítulos de Caminho das Indias (confesso: a surra de Cristiane Torloni em Leticia Sabatela foi decisiva pra minha rendição!) comendo... me largar sem pressa, sem compromisso. Se dá vontade, lavar a louça, organizar algo pendente. Se não, ligar o computador, conversar com filhos, amor, irmãos, mãe... e por último, navegar ao léu um pouco. Aí já é quase meia noite - o que me força a parar no primeiro ou segundo blog descoberto, com a promessa íntima de que no outro dia vou voltar pra conhecer todo o conteúdo que, à primeira vista, me agradou - nunca cumprida, claro. Mas o sono, ultimamente, não vem. É quando me dá vontade de escrever e escrever e escrever, e as histórias e os textos pululam em minha mente, mas me forço a permanecer deitada (amanhã é sempre dia útil, e tenho que levantar cedo), esperando o sono chegar.
E aí já é outro dia, que começa devagar mas termina sempre igual. E sempre incompleto.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Os sons do dia começando invadem o quarto, o ouvido, o cérebro.
A marisia chega junto, e se instala como só ela sabe, dentro de mim ao lado da fadiga.
Mais uma quinta feira de azáfama e labuta.
...
29 dias me separam das férias.
...

terça-feira, setembro 08, 2009

Estudo sobre embriaguez

Leio e releio o poema de minha filha. Pergunto-me se seria capaz de fazer um exercício igual...e pelo menos tento.Menos deprê... mas não tão bom. Mas valeu o exercício:

Vamos beber qualquer coisa
que a lua avança no mar
e há salobros fantasmas
que não quero visitar.
Embriaguemo-nos pois
de doçura, encanto, ilusão
que assim são feitos os sonhos,
a vida e seu condão.
Vamos beber qualquer coisa.
O que for. Vamos beber.
Não interessa se depois
a ressaca venha nos contender.
Então os fantasmas já se terão ido,
longe, onde não se pode visitar
e na lua sobre o mar o sentido
de viver a vida e sonhar.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Antes ser a outra?


Surpreendo-me ao atender o telefone e ouvir a voz de Flor - afinal, ela deveria estar viajando. Quando nos falamos na última vez estava esfuziante, animada, transbordando alegria. Alegria demais, como comentei então. "Nina, você é sempre assim, vê coisas onde elas não existem! Não, não estou triste. Sim, está tudo bem. A vida é bela, amiga, e o amor é lindo. E vamos, Moreno e eu, passar o fim de semana em Maceió, namorando, curtindo a praia, o amor, um ao outro. Não queira estragar isto, ok? Não me critique, não me questione, me deixa ser feliz!" E desligou o telefone pra terminar de arrumar a mala, ir ao salão, se preparar, enfim, pra um fim de semana idílico com seu amor de longa, longuíssima data. Isto aconteceu na quarta feira, há dois dias.
.
- Oi, Flor! O que aconteceu? Você não deveria estar em Maceió???
- Ah, Nina... preciso taaaaaaanto de você... não diga nada, por favor, não suportaria... preciso de alguém que me ouça, que me entenda, que me dê colo...
Então, algo deu errado. O que ela não percebe é que eu não consigo entender, que mais que ouvi-la queria que ela me ouvisse, que só ofereço meu colo em nome de nossa amizade, ainda mais antiga que este romance absurdo que se tornou o centro de sua vida...
- Não chore, Flor. O que aconteceu?
- Não fomos, Nina. Deu tudo, tudo errado. O peste do Pedro quebrou o braço num jogo de futebol, e pediu que o pai ficasse com ele, e você sabe como Moreno é louco por esse menino, faz tudo o que ele quer...
Ai, ai, minhamiga, minha querida amiga. Moreno é louco pela família dele - esposa, filho, filha. E é isso que eu queria tanto, tanto que você percebesse, a fim de que pudesse buscar, enfim, ser feliz - e quem sabe construir sua própria família!
- Acidentes acontecem, Flor... são coisas fora de controle, não são planejados...
- Ah, mas eu tenho certeza que aquela bruaca da mulher dele desconfiava... ela deu um jeitinho de atrapalhar tudo, eu sei!
- Flor...
- Ah, Nina, vem aqui em casa, vem... por favor, por favor, por favor!!!! Preciso de você, amiga, preciso tanto!
.
Abre a porta com olhos inchados e vermelhos - sinal de que já esgotou um tanto da dor nas lágrimas derramadas. Coloco no chão as sacolas de mercado e abro os braços pra acolher esta minha amiga tão querida num abraço que busca aquecer seu coração, lavar sua alma, aliviar sua dor...
- Vai, vai tomar um banho daqueles de lavar a alma. Olha, eu trouxe aquele sabonete energizante que você gosta tanto... vai, não discute, enquanto isto eu vou arrumar algo pra gente comer - mesmo que você não tenha fome, lembra que eu trabalhei o dia todo e tô faminta! E você vai comer comigo, afinal desmarquei meu jantar com Amor pra ficar com você, não vai me deixar comer sozinha agora!
Sei bem como agir, afinal não é a primeira - e infelizmente não será a última - vez que venho socorrê-la num momento assim, o que me dá know how suficiente pra agir com segurança e desenvoltura sem medo de feri-la ainda mais. Amor também não consegue entender como é que ela, uma mulher bonita e independente, fica refém desta relação tão desigual e infrutífera - mas entende que ela é uma grande amiga, que precisa de mim, e vai pro jogo de poquer que sua galera do trabalho marcou hoje à tarde, quando já tínhamos combinado um jantarzinho romântico (chego a desconfiar que com uma alegria um pouco maior do que a desejável)...
Enquanto ela se arrasta para o banheiro, vítima infeliz relegada pelo amante a segundo plano, lavo a louça na pia, coloco o sorvete e o vinho no freezer, a pizza no forno, não sem antes procurar o CD especial que gravei em seu último aniversário... Ivan Lins cantando Vitoriosa é o fundo musical pra melhorar o seu astral, depois Ney Matogrosso, Skank, Cidade Negra, uma seleção sui genêris e especial pra minha amiga...
Vinho, pizza, música, sorvete - e meu silêncio, que hoje é dia só de ouvir, não de falar. Deixo que ela desabafe, que derrame as poucas lágrimas restantes, que se perca em autocomiseração e ofereço meu colo, meu abrigo, a amizade de sempre e a paciência -agora rara. Acomodo-a na cama, embriagada em abandono, tristeza e vinho, e vou ao filme que tinha locado no horário de almoço, "odeio o dia dos namorados". Nada mais adequado.
.
Sábado pela manhã Flor se levanta tarde, de ressaca. Olhos inchados, olheiras, pele sem viço. À mesa já um café da manhã de sábado: fruta, suco, ovos, aipim, calabresa, torradas. Ela vem arrastando os chinelos, ombros caídos, senta-se diante de uma xícara de café quente e me olha com aquele jeito de quem pede clemência, não, não fale nada, eu não mereço ouvir. Ah, merece, Flor. Merece sim. E vai ouvir. Este é o preço - tudo na vida é troca, tudo tem preço, não tem? Até a amizade.
- Não entendo você, juro. Eu tento, tento mesmo, do fundo do meu coração, mas não consigo entender - tampouco aceitar - o que você faz consigo.
- Não, Nina. Agora não. Por favor, dá um tempo.
- Sinto muito, Flor. Não dá pra esperar. Há quanto tempo você vive esta situação, mulher???? São dezoito anos, uma vida, complentando maioridade! Tá na hora de você adquirir juízo!
- O que eu posso fazer se o amo?
- Ama? Ama mesmo? Que amor é este, maior do que o que sente por si? Como é que você quer que ele a ame, se você não se ama?
- Pra você é fácil falar, Nina. É linda, bem resolvida, tem Amor a seu lado, que faz tudo o que você quer, que está sempre com você, que chega a dar inveja do fato de vocês serem, por vezes, odiosamente felizes!
- Flor... pára. Não é essa a questão - e você sabe. Você é linda, é independente como eu... e eu e Amor nos conhecemos e construímos uma história um com o outro...
- Mas eu também! Também eu construí uma história com Moreno, e uma história linda...
- Que história linda, Flor??? Ele tem outra história, é casado, CA-SA-DO, tem filhos...
- Amor também tem filhos!
- Sim, Flor. Amor tem filhos, e eu também. Mas de outras histórias, que aconteceram e acabaram antes de nos conhecermos... quando volto pra casa à noite, ele está lá, ao meu lado. Em nossos aniversários - de nascimento, de relacionamento - estamos sempre juntos pra comemorar. Ele está comigo nos natais, nos reveilons, nos dias dos namorados e em qualquer momento que preciso... é meu companheiro de verdade, amiga. Moreno nem ao menos seu aniversário passa com você!!!!
- Ah, mas que culpa ele tem se a filha faz aniversário no mesmo dia que eu????
- Até quando, minha amiga, você vai buscar desculpas pra justificar o egoísmo dele e sua infelicidade??? Quantas vezes isso já aconteceu antes, Flor? Quantos foram os planos abortados porque um filho se machucou, porque a sogra chegou sem avisar, porque os cunhados vieram passar o fim de semana de surpresa???? Quantos natais sozinha, sem ele? Quantas vezes você precisou dele ao mesmo tempo que a mulher, e ele nem titubeou em deixar você se virar só? Não vou mais, prometo, falar de princípios morais, de como sua mãe se sentiria se descobrisse, de como sua família reagiria... não tenho mais estes argumentos, acabaram. Mas não dá pra ficar olhando calada você se acabando.. Tem quarenta anos, minha amiga. Abriu mão de filhos, de carreira em outro estado pra ser a outra... e o que ganhou com isso, além de momentos fugazes com ele??? Sei que acreditou que conseguiria um dia, tê-lo pra si... que investiu nisso esses anos todos... mas não tá na hora de pensar um pouco em você??? De buscar ser feliz??? Não tá na hora de parar de se contentar com migalhas, Flor?
- Eu o amo... não sei viver sem ele, Nina.
.
Que triste olhar esta pessoa que amo tanto, esta mulher linda e bem sucedida profissionalmente tão entregue assim. Lembro de como um dia de bom humor ela me contou, rindo, sobre uma sua comunidade no orkut: "antes ser a outra do que ser a trouxa" - e penso, tristemente, se ela se deu conta de que desempenha os dois papéis títulos aí...
Sei que não adianta falar - esta é a escolha que ela fez, ser a outra, se contentar com migalhas, com o anonimato, com encontros furtivos, com viagens esporádicas, momentos efêmeros que sustentam um sentimento incompreensível pra mim - e talvez seja esta, afinal, sua maneira de ser feliz - viver em preto e branco olhando outras vidas em cores - afinal quem disse que preto e branco não tem sua beleza???
Triste maneira de ser feliz.

sábado, agosto 29, 2009

Marisia

Meu amor em Salvador - o apartamento me parece grande demais apenas pra mim.
Livros na fila, aguardando pra ler, mais de cinco.
Filmes sobre o dvd, quatro.
Papéis da diferença a procurar espalhados pelo chão.
No cavalete, uma tela inacabada.
Alguns textos iniciados, outros na cabeça.
Dois pufes de pet montados, faltando acabamento.
A mudança de Paula toda fora das caixas, esperando pra ser reorganizada (ah, essa cidade e seu bolor eterno...).
Uma máquina de costura para estrear - reformas, tecidos esperando, espalhados sobre a mesa.
Uma pilha de roupas para passar.
Fotos para organizar.
Vontade de fazer nada.
O sábado corre assim... morgando frente à TV, cochilando no tapete, pequenas visitas à net, lanches sem horário, compromisso com nada - a não ser comigo.
Acho que, afinal, precisava de um dia assim.

domingo, agosto 23, 2009

"Querido diário"


Este sábado começou todo errado, apesar das expectativas de ser especial.
Acordei pouco depois das seis, numa marisia sem fim. Arrumei a mochila pra ir pra Salvador, e cheguei na rodoviária poucos minutos depois de o expresso de 07:10 ter partido - então, peguei uma moto para ir até o teminal do Jacaré (o mocinho do balcão de passagens garantiu que eu conseguiria!), mas não deu. E o pior: chegando lá, descubro que tinha esquecido o celular em casa. Na mesma garupa, volto em casa, pego o celular e caminho novamente pra rodoviária, a tempo de pegar o ônibus (pingapinga) de 07:50, que chega ao Bom Despacho às 09:40 - os portões para pegar o Ferry das 09:45 ainda estavam abertos, mas não vendiam mais bilhetes, o próximo só 11:15. Não estava disposta a esperar uma hora e meia, pego uma moto e vou pro terminal das lanchas em Mar Grande. Merda!!!! Maré baixa. A próxima lancha só sairia 12:30. Eu mereço, eu mereço. Na mesma garupa (isto tá ficando chato), volto pro Bom Despacho. Em frente ao Bom Preço, resolvo descer pra comprar um lanche, já que o próximo ferry é só às 11:15. Bom. Com toda calma compro barras de cereais, iogurte e um livro de Agatha Cristhie (O Mistério da Arca Espanhola e Outras Histórias, que ainda não li) e vou caminhando sob o sol até o terminal do ferry. Quando chego no guichê a mesma menina que me atendeu antes, afirmando que o próximo ferry seria às 11:15 sorri e pergunta: "não quis ir no extra das 10:10???". Controlo minha vontade de socá-la através do vidro, e respondo meio blasé: "não, fui passear por aí, aproveitar esta manhã de preguiça." Engulo minha vontade de dizer um monte de besteiras, de ser grosseira, de ser irônica e vou me sentar lendo meu livro novo, o que é algo de bom nesta manhã torta.
Quando chego à casa de Ramon, ele tá limpando a bateria sob o sol, que já não está mais aprazível, e sim escaldante - me esquivo de ficar fazendo companhia, e subo pra um banho que lava os cabelos, o corpo, a alma. Passou. O dia vai melhorar, eu sei. Afinal, vou ao show do Roupa Nova, meu melhor presente de aniversário. A M O Roupa Nova. E de bônus, Zezé de Camargo e Luciano. O dia vai, sim, ser Shump. Não posso desacreditar, mas... já prontos, ficamos quase uma hora DE PÉ no ponto de ônibus que chega cheio de gente, afinal, além do show no Wet'n, pra onde vamos, tem algum outro grande evento musical no Parque de Exposições, no mesmo caminho. Então, continuamos de pé. Detalhe: o show também é de pé. Já estou irritada antes mesmo de chegar, mas conto até dez, e de novo, e Ramon é um poço de paciência comigo.
Ao chegar descubro que a patrocinadora oficial do evento é a Schin - não vou tomar cerveja, o que também me irrita um pouco mais. A banda que vai fazer a abertura do show é Seu Maxixe, pelo que entendi - uma banda 'sertaneja universitária' muito, muito boa. Não a conhecia, mas gostei muito, os meninos tem suingue, são animados, tem um bom repertório e segundo Ramon, que entende da coisa, tocam bem - apesar de o vocalista não ter molejo nenhum pra dançar! Gosto, me animo e até danço com eles - quando do nada, começam com antigos sucessos. Tocam "Fio de Cabelo". Algumas coisas, pra mim, são inconscientes e incontroláveis. Estava ouvindo a música encostada em Ramon, e só percebi que estava chorando quando as lágrimas caíram no meu braço. Que coisa idiota, isso, não é? Não, não é. É complicado, é difícil, é constrangedor às vezes, mas não é idiota. Esta é uma das músicas que mais fortemente lembram meu pai, e que ainda não consegui ouvir sem chorar. Disfarço, seco as lágrimas, mas elas voltam - e meu bem percebe, ele sabe como me sinto, e me abraça forte, o que aumenta a vontade de chorar - mas consigo me controlar, e penso comigo mesma: "tomara que Roupa Nova toque antes de Zezé.". Pressinto que terei dificuldades.
E assim é, começa "O" Show. Roupa Nova é tudotudotudo de bom, os caras são o máximo no palco, e tocam muuuuuuuuuuuuuito (opinião de quem entende!) e eu me acabo dançando e me divirto muito e fico muito feliz por poder estar ali. As brigas, por tentativa de furto, são um capítulo à parte - não sei quantas houve ao total, mas só do nosso lado foram três (eu mereço!).
Termina o show, e ele voltam ao palco a pedidos, com uma canja de grandes sucessos de rock que empolgam a galera, e nossa! Foi muito bom. Quero mais.
Enquanto esperamos Zezé e Luciano (e só vão chegar perto de duas da manhã, estão vindo do Rio, estavam se apresentando ao vivo no Criança Esperança) vamos lanchar, uma pizza de cone bem boazinha. O show começa e ficamos um pouco mais longe do palco - mas quando eles começam a cantar não consigo pensar em nada a não ser que Wan adoraria estar ali, e eu adoraria que ele estivesse, e putz, que meleca, não trouxe o celular por medo de assalto, e
P R E C I S O falar com ele, ligar no outro dia não ia fazer o mesmo efeito... então, com minha grandecíssima cara de pau olho pra moça que tá do meu lado e tem uma bolsinha à tiracolo... "moça, por favor... perdi meu celular (Deus há de perdoar essa mentirinha!)... e meu irmão, que mora em Goiânia, é fã de Zezé e Luciano, e eu precisava MUUUUITO ligar pra ele, é a cobrar, será..." nem preciso continuar a ladainha, ela é um doce, tira o telefone e me entrega: "após o sinal, diga seu nome e a cidade de onde está falando: sua irmã, de Salvador, direto do show de Zezé de Camargo e Luciano, pensando em você cara!!!". risos... acordo meu irmão, que é tudo de bom na vida, e entende que eu precisava falar com ele, afinal è Zezé e Luciano no palco, e isto é a cara da nossa família, dos churrascos, do churrasqueiro, ele entende que eu o queria aqui, que sinto saudade, e conversa na boa (bom... isso não é novidade entre nós, né? Só que geralmente ligamos quando estamos dois ou mais irmãos reunidos, bebendo todas e comendo churrasco, e um pobre incauto não pôde se reunir aos outros... rssss).
Agora sim - posso curtir o show, que começou com músicas atuais da dupla, que logo percebeu que na terra do axé não são conhecidas, e começam a resgatar sucessos antigos de seu repertório- o que é péssimo. Mais uma vez me descubro chorando (eita mico!)... e percebo algumas pessoas a me olhar curiosas, e sei, no fundo do meu coração, que não vou conseguir ficar até o fim sem me deixar invadir pela melancolia... melhor ir embora, já valeu a pena, foi tudo de bom. E o dia que começou torto pra caramba acabou bem. Certinho, feliz, aconchegada no abraço do meu amor.

sexta-feira, agosto 21, 2009

Entre junho e setembro...


...são quatro meses.
De 25 de julho a 24 de setembro, 122 dias e seis aniversários.
Uma mãe canceriana, um pai leonino, três filhos idem, um libriano.
Uma família comum, uma grande família comum, mas tão especial ao mesmo tempo!
Discussões, brigas, desavenças. Qual a família que não tem????
Em compensação tanto amor, mas tanto amor, tanta amizade, tanta união que nem sei descrever.
Uma família meio doida, meio maluca, hoje toda espalhada pelo Brasil, e que todos falam alto, dão gargalhadas desbragadas, contam piadas, bebem todas, choram de tristeza, choram de alegria, se abraçam, dão beijos quando chegam, dão beijos quando saem, se reúnem sem programar, se reúnem programando, aprendem com os erros e com os acertos, não tem medo de pedir perdão, não tem medo de serem felizes. E sabem que a felicidade não é todo dia, nem toda hora, mas é sempre.
Uma família em que os filhos cresceram e seguiram, cada um, seu caminho. E arrumaram parceria pra vida, e fizeram filhos (ops! Falta uma...), e o amor era tão grande que continua nos filhos, na relação entre primos, entre tios e sobrinhos, entre netos e avós, entre cunhadas e noras e genros e sogra... uma grande família que não perdeu a essência da vida, que não se perdeu - mesmo com a partida dolorosa do pai pra outra vida, outra esfera de crescimento. E que hoje, estivesse entre nós, completaria 68 anos.
21 de agosto, 2009. O segundo aniversário em que não está conosco. E ainda dói tanto sua falta, dói tanto a consciência de não mais poder ouvir seu riso, suas canções cantaroladas baixinho, suas histórias, suas teorias genéticas, o arrastar de seus chinelos pela casa, dói tanto não poder dar um abraço gostoso de feliz aniversário e não poder mais brigar pra não comer tanto doce...
21 de agosto, 2009. Mais um dia aprendendo que se pode ser feliz mesmo na dor.
Eu te amo, papai. Seja onde for que estiver, não esqueça: nós te amamos. E mesmo com sua falta, seguimos em frente - como o senhor queria. O que nos acalenta não é mais sua presença - mas a certeza de que Deus o cuida por nós.

quinta-feira, agosto 13, 2009

13/08/09


São quarenta e cinco aniversários.
Quarenta e cinco anos novos - e em cada um deles estava, sempre, cercada de gente.
Do primeiro só me lembro por foto, uma menininha rechonchudinha de pernas grossas, cachinhos fartos e sorriso aberto cortando um bolo maior que ela juntos aos pais - um casal de cinema, tão lindos eram!
Os outros todos, impossível lembrar cada um - quinze anos, claro, inesquecível: três festas! Uma, no dia, com direito a banho de farinha e ovos; uma 'discoteca' surpresa no sábado e, depois, o baile. O primeiro baile de debutantes do Floresta Clube, que reuniu uma galera considerável - mas que deu muito trabalho... lembro-me como hoje a Tânia, acho que este era o nome, no trabalho de formiguinha convencendo a cada uma das meninas de isso não era antigo, não era "demodê", e no fim, todas curtindo de montão algo que não queríamos e com certeza não pensávamos curtir assim. Gosto de olhar as fotos e ver o brilho nos olhos de cada uma, prontas pra abraçar a vida. Gosto de (re)encontrar nas fotos aquela menininha de pernas grossas e sorriso aberto e franco que acreditava que o mundo era todo dela, só esperando que ela saísse e estendesse as mãos, tomando conta... gosto de constatar, pelas fotos, que a amizade verdadeira persiste e resiste a tudo. Gosto de olhar a foto em que estamos, eu e Ly, encarando a lente sem medo do futuro, e gosto mais ainda por sentir, em meu coração, que o amor que nos uniu na adolescência não morreu e, mesmo com o passar do tempo e com a distância nos reconhecemos e nos entendemos como se tivéssemos nos visto ainda ontem num daqueles papos recheados de risadas, confidências, sonhos e verdade...
Outro aniversário bem claro na memória foi aquele em que Paulo, superando toda e qualquer expectativa, organizou uma festa - tão, mas tão bem organizada que, de verdade, acho que foi a única vez na vida em que a expressão "festa surpresa" funcionou comigo... tive uma festa realmente surpresa (e ainda paguei mico, reclamando dos amigos todos que não tinham se lembrado - e estavam todos quietinhos, reunidos, numa sala escura e cheia de gente... rssss)...
Lembro ainda o primeiro aniversário na ilha, quando só Maya morava comigo: mas a "festa surpresa pra Lu, do BB", teve direito a anúncio no rádio a manhã toda (êêê, Domingão!!) e foi cheia de gente, alegria e pranto (é, eu não mudei - alegria me faz, sim, chorar)... tantos, tantos!!! (É, claro que são muitos: quarenta e cinco! Com mais de uma festa em alguns, posso contabilizar aí uns mais de cinquenta... rsssss) - mas sempre, em qualquer época, estava rodeada de gente. Cercada por pessoas de amor recíproco - que me amavam e a quem eu amava - amigos, família, amores.
E nunca, em tempo algum, consegui sequer imaginar que um dia passaria a noite do meu aniversário sozinha - euzinha, com mamãe em Goiânia, três irmãos (cada um em um canto), sobrinhos, três filhos paridos e um do coração, amigos que me faltam dedos pra contar e um amor... sozinha, num aniversário? Jamais. E se, em algum momento essa idéia passasse por minha cabeça, tenho certeza de que só a perspectiva me faria cair em prantos (é, a tristeza e a melancolia também me fazem chorar....).
Mas eis que hoje, 13 de agosto de 2009, completo quarenta e cinco anos. Sozinha em minha casa com algumas latas de cerveja e o notebook. Não, o surpreendente não é ter acontecido - é eu não estar me afogando em lágrimas e autocomiseração. Tá, tudo bem, tive uma festa no fim da tarde, no trabalho. E outra marcada pra sábado, no lugar onde hoje mora meu coração. Acho que só isto ameniza o fato de que, pela primeira vez na vida, estou acampada em um lugar onde não cativei ninguém, onde não fiz Amigos - porque se os houvesse feito, não deixariam nunca que eu passasse a noite do meu aniversário solitária em frente ao computador. E o que dói é essa constatação clara e precisa de que realmente mudei - não sei se pra melhor ou pra pior, mas quando penso que não tenho amigos neste lugar me pergunto se é porque me tornei mais seletiva ou mais chata. Toda moeda tem dois lados, e toda verdade vários ângulos... mas, enfim, 'i'll survive'.
Não sei se amadureci, não sei se endureci, mas... incrivelmente, não me desmancho. Canto com o IRA! e Paralamas, em altos brados, a canção que amo e me faz bem.
Feliz aniversário prá mim.

quarta-feira, agosto 05, 2009

Ly, queridamiga, companheira e quase irmã,

Estou sentada à cozinha esperando que a máquina de lavar esvazie, para que eu possa abrir a torneira novamente (sim, ela tem problemas, é temperamental - se fica aberta a torneira, alaga a área de serviço). À minha frente meia caneca de café, duas revistas de pintura em tela e, apoiada no galão de água, uma tela em branco me olha. Permaneço contemplando-a, a decidir o que, afinal pintarei ali. Enquanto isso, meus pensamentos fogem em uma de suas viagens constantes, sem aviso nem sinal, param num desenho feito por você há anos - um bichinho charmoso com as mãos atrás do corpo, pelo qual me apaixonei incontinenti. E do personagem, claro, é um pulo pra você. E me lembro que, em menos de dois meses você completará 45 anos (tudo bem, não me esqueço que, inevitavelmente, chegarei lá primeiro!) e penso que poderia, de algum modo, enviar-lhe um presente que diga do meu amor e da minha amizade. E penso em talvez customizar uma camiseta pintando o Lully e colocando fitas, botões, sei lá - e mandar, via correio, pra você. Fatalmente me questiono se você gostaria, se usaria, como se veste hoje, que cores prefere neste momento da sua vida, que músicas embalam seus sonhos (sim, mesmo aos quarenta sonhamos, não?), o que faz nas horas de lazer, se continua desenhando (minha inveja absoluta de você - inveja boa, que fique claro!!!), se fala alemão, russo ou mandarim, se gosta de sentar-se só, com o pés sob o corpo e uma xícara de chá à frente e viajar, como eu, por lugares e tempos insondáveis, se plantou uma árvore, se escreveu um livro, se sente falta de filhos...
... e me dou conta de que hoje, afinal, vivemos mais tempo longe uma da outra do que o que passamos juntas, e percebo enfim a enormidade do sentimento que me une à você, e me questiono se um dia ainda nos encontraremos e sentaremos num boteco num fim de tarde tomando uma e olhando a vida passar... (re)descobrindo aos poucos a beleza da amizade que hoje é só um acalanto pro coração... falando de amores, de tristezas, de sonhos (realizados ou não), falando besteira ou mesmo partilhando o silêncio... quiçá um dia possamos.
A máquina parou, e já são 07:45 de uma manhã ensolarada em Valença, numa quarta feira, 22 de julho do ano da graça de Nosso Senhor de 2009 - e infelizmente ainda preciso me arrumar e ir pro trabalho porque não arrumei um marido rico, não ganhei na mega sena...
Mas pensando na distância e no tempo que nos separam, preparo aqui uma pequena lista de coisas que gosto e não gosto... pra que você possa ter uma idéia de como o tempo passou pra mim. Devolva-me a sua lista, ok? Pra que eu saiba também como o tempo passou pra você...
Do que eu gosto?
- de dias de sol (lembra quando a gente largateava no pátio da reitoria?)
- da feira de artesanato do Largo da Ordem em domingos de sol
- de almoçar no Bar do Alemão em domingos de sol em Curitiba
- de artesanato, de pintura, de reciclagem
- de andar nua pela casa
- de viajar
- de plantas pela casa
- de plantas no prato (amo salada!)
- do mar
- de ler
- de escrever
- de bom humor
- de deitar na rede na casa de Cloé olhando o mar e ouvindo o vento nos coqueiros
- de sentar no Boteco do Serginho com o Wan tomando Original e comendo costelinha de porco
- da família reunida
- de boteco com meus irmãos
- de quando eles ligam, bêbados, só pra passar vontade porque eu não tô junto
- de MPB
- de churrasco do Wan (com direito à trilha sonora sertaneja, claro!)
- de cozinhar
- de cantar alto junto com o som em manhãs de faxina da casa
- de jogar Imagem e Ação com meus filhos
- de jogar truco com meus filhos
- de jogar pôquer com meus filhos
- de qualquer coisa com meus filhos - gosto, amo estar com eles.
- de fotografia - fotografar, não ser fotografada
- de scrapbook
- de rever amigos
Do que eu não gosto?
- de mentira
- de pagode (tá, tudo bem, até danço... quando bebi umas...)
- de funk
- de frio
- de coentro
- de dormir com luz acesa
- de Salvador em dias de chuva
- de preconceito idiota (e sim, acredito que todo preconceito é idiota)
- de passar roupa
- de pessoas indecisas
- de pessoas que se acham
- de arrumar a cozinha após o almoço
- de sentir medo
- que me digam como agir
- de me sentir perdida
- de coração de galinha (nem fígado, nem moela, nenhum tipo de vísceras - e isso inclui sarapatel, fatada, xinxins e afins)
Posso pensar em muitas outras coisas pra colocar nesta lista... mas ela se tornaria ainda maior, e mais chata, e... melhor deixar pra quando estivermos juntas, em Barcelona ou Salvador, redescobrirmos...
Beijabraço grandenorme da amiga (de sempre),
Lu.

"E seus sonhos, quais são?"

"Liberdade! Palavra que o sonho alimenta, que não há quem explique e ninguém que entenda..."(Cecilia Meireles) Segundo dia de atestado médico, gripe (não suína), em casa. Hoje dormi menos do que ontem, não sei se já me acostumei ao remédio, não sei se estou menos debilitada. Fico ON no MSN, coisa rara, pra atender a primogênita que solicita uma 'conversa séria' (penso que vou levar uma baita bronca!). E vem falar comigo um querido, muito querido amigo, ex-cunhado, que traz no seu perfil os dizeres acima - quem sabe talvez um sinal. Conversamos muito, não o suficiente pra matar a saudade, mas o bastante pra nos sentirmos recarregados neste sentimento de amizade que nos une. E aí, do nada, ele me pergunta: "Pois é, minha cara e elegante amiga, e seus sonhos, quais são? Metas, planos..." Fico sem resposta, e isto me assusta. Muito, aliás. Paro um pouquinho e penso no que aconteceu agora, neste exato momento em que ele me pergunta e não tenho respostas: como me sinto? Reconheço-me? Sou eu esta pessoa que não sabe falar sobre seus próprios sonhos, metas, planos? Tá, tudo bem. Sei que nunca fui de ter sonhos grandiosos, metódicos ou impossíveis - sonhei ser mãe, o primeiro sonho que me lembro - e realizei-me. Sonhei contar histórias e, mesmo de maneira não tradicional, realizo-me. Sonhei morar na praia, junto ao mar. Sonhei ter amigos - na acepção exata da palavra, mesmo que não fossem numerosos - e me realizei. Sonhei ver meus filhos crescerem, tornarem-se pessoas especiais, sermos amigos. E me realizei. E agora? Cadê meus sonhos? Como posso buscar algo se não sei o que buscar???? Sei que meus sonhos estão aqui, em algum lugar. E vou procurá-los pensando no que meu amigo disse, antes de se despedir: "E não esqueça de que nós é quem somos donos da nossa história - quem a escreve somos nós." Se gosto de contar histórias, não posso me esquecer de que a principal é a minha. É dela, afinal, que partem todas as outras - imaginárias ou não, que me proponho a contar. Então, com licença, que eu vou ali vasculhar sob os escombros do passado, pra ver se encontro meus sonhos escondidos, observando atentos - com medo do futuro. E vou resgatá-los, com toda sua importância na minha vida.

quinta-feira, julho 09, 2009

Pensando bem...

Conheci a Bahia em 1996, num destes pacotes prontos: uma semana de praia, mar e tempo cinzento – março, época de chuva em Porto Seguro – e mesmo sem sol, me apaixonei. O espaço, o mar aberto, a praia limpa, a falta de turistas propiciou um encontro transcendental, altos papos íntimos “de migo para comigo”. Voltei renovada para a correria do dia a dia em Foz, trabalho, calor, muita gente, mas... “ê, Bahia-ia, Bahia que não me sai do pensamento, ai”... em 2003 surgiu a oportunidade de transferência para a ilha de Itaparica, “lugar paradisíaco a 40 minutos de Salvador”, como dizia o anúncio que me seduziu. E como andava facinha, facinha, fui: eu, a filha de 16 anos, o computador, o cavalete de pintura e dezesseis caixas de mudança. Ficaram a filha mais velha, começando a faculdade noutra cidade; o caçula, iniciando a experiência de morar com o pai, aos 12 anos de idade e amigos raros, dos quais trago saudade imensa. E na Bahia, a de morar, não a de férias, alguns choques – uns básicos, alguns gritantes, uns sutis, outros hilários, alguns difíceis de lidar. E a permanente questão: porque insisto? Outro dia, briga grande com uma amiga: “porque esse pessoal do sul é tudo metido a besta, pensa que é europeu!”. Ai, ai. Ai, ai. Que culpa tenho eu se é baixa sua auto estima? O que ela, que nunca saiu da Bahia, pode falar do “povo do sul”??? (Que aqui na Bahia é todo o território nacional do Espírito Santo pra baixo...). Não vou entrar no mérito da questão, de quem está certo ou errado – até porque nem sempre há certos e errados, não é? Mas ontem um amigo a quem admiro muito começa com esse papo de “o povo do sul se acha”, “o povo do sul isto”, “o povo do sul aquilo”... ele, que já me confidenciou inúmeras vezes se envergonhar da educação dos locais, ele que vive suspirando por morar no sul (Curitiba é sua paixão), pra me molestar começa com esse papo besta, e a perguntar sobre os grandes expoentes da cultura nacional, quem são os grandes escritores, os grandes músicos, e começa a citar os baianos e acha que tudo o que é bom só vem daqui (um dia ainda paro pra fazer uma lista e esfregar no nariz de um ou outro metido a besta que me encher a paciência). Me pego pensando nas diferenças – até que ponto são ruins, até que ponto são boas. E no que me faz permanecer. O amor? Pode ser o amor – eterno enquanto dure, como dizia o poetinha (e está durando), e me faça feliz feito essa vida não faz (olha Leminski aqui! E está fazendo.). O mar? “Quando vi o mar a primeira vez...”. A inconstância do meu pensamento, do meu coração? E porque, afinal, saber? Permaneço, e pronto. Apesar da falta. Da saudade dos filhos, da mãe, dos amigos. De hortaliças frescas, de educação, sei lá. Sei que permaneço, incompleta e feliz. Ou completa e infeliz. Mas por opção. Apesar.

terça-feira, junho 16, 2009

A eterna estrangeira

"Quando me perguntam por que quis ser jornalista, sempre respondo que me fascina contar histórias. Por que não foi ser escritora, então? Falta-me talento."
... Quando eu tinha aí uns nove anos de idade já sabia o que queria da vida: ser mãe. E jornalista. Porque jornalista, uma menina de classe média baixa dos anos setenta? Não me pergunte - não saberia responder. Neta mais velha de uma grande família alegre e bagunceira, mas sem nenhuma história de 'leitores' na bagagem - a não ser meu amado tio Dner, que morreu exatamente um dia após meu aniversário de seis anos - quando seu filho mais novo também havia completado um ano - e talvez isso explique o amor tão forte que sinto por este primo hoje homem feito, de quase dois metros de altura e espírito bonachão, mas na época um menininho lindo de cabelos dourados. Mas isto é outra história. Uma das lembranças mais queridas que tenho é da biblioteca de meu tio - professor universitário, único formado de uma leva de seis irmãos 'Deus' - mas isto também é outra história. A biblioteca era um lugar mágico, com paredes cobertas de armários cheios de livros... lembro que todos os dias eu queria visitar minha tia, e chegando lá fugia, assim que possível, para a biblioteca do tio, onde me perdia lendo coleções e coleções de livros infantis que ele havia comprado para seus filhos, que não sabiam o valor incalculável daquele tesouro que fazia meus olhos brilharem como se, cada vez que me encontrava ali, fosse noite de natal... lembro-me de me esconder sob a escrivaninha na biblioteca por vezes incontáveis para poder ler em paz, sem ninguém falando na minha cabeça "essa menina precisa parar de ler desse jeito, isso faz mal!"... outra lembrança boa é meu avô João, sertanejo rude e iletrado, que despertava até medo, tamanho o respeito na família... pois este homem rude me colocava no colo e contava 'causos' intermináveis de fantasmas, de mulas sem cabeça, de luzes que brilhavam em cemitérios em noites escuras, de onças e caçadas e tantas outras aventuras e fazia minha imaginação voar e despertou a vontade de também ser contadora de histórias... e tudo o que posso imaginar é que quis ser jornalista por influência direta dessas duas pessoas tão importantes na minha vida - e que talvez nunca tenham imaginado isso. É, acho que quis ser jornalista porque gosto de contar histórias... e o desejo de criança se realizou, fui mãe - três vezes. Mas ainda não sou jornalista - embora goste de contar histórias.
"Para permanecer nessa ideia, termino dizendo apenas que sou jornalista porque gosto de contar histórias. Gosto de contar histórias porque me gusta conhecer histórias. E gosto de conhecer histórias porque há muitas delas esperando para serem contadas, apesar de quase ninguém perceber. Infelizmente, algumas narrativas não podem ser vividas. Mas contadas, imagino eu, cada uma daria um clássico, embora se fosse eu a autora da obra não saberia como terminá-la. E uma história inacabada é um drama para qualquer escritor, ainda que se trate de um amador."
... Então. num desses passeios pela net, sem rumo e sem prumo, fugindo do material que me olha de sobre a cama para estudar, vou ler o blog de minha filha, ídolo incondicional. E vejo um texto, "Papai Noel veio em junho" http://tatilazz.blogspot.com/2009/06/papai-noel-veio-em-junho.html, de uma sua amiga. E vou ler. E me emociona o texto, a história, seu pai. Talvez a saudade de meu pai, que já não posso mais curtir, tenha potencializado minha emoção - mas não acredito. Sei que amo o texto que leio, e resolvo ler mais embaixo 'despertador', 'três fatos', 'histórias'... e descubro que gosto muito, muito de seu jeito de escrever, de como expõe os sentimentos, de como encadeia as idéias, de como usa as palavras, de como me faz lembrar de porquê eu sonhei, um dia, ser jornalista. E sinto vontade de contradizê-la quando ela diz 'falta-me talento'. Escritora nata, contadora de histórias da melhor qualidade, jornalista de talento, uma mulher traçando seu caminho e escrevendo sua história e muitas outras que valem a pena... grande garota, essa menina Tatilazz, Tatiana Lazzarotto, a filha do Papai Noel, de quem já ouvi tantas histórias contadas por Paulinha e que conta histórias que eu gostaria de ter contado, que faz poemas que eu gostaria de ter feito... autores que me fazem sentir assim despertam minha total admiração.
... A partir de agora, sou sua fã. Declarada, porque fã, na verdade, eu já era. :)

sexta-feira, junho 05, 2009

Do fundo do baú - 02


Não se acostume com a palavra amor.
Não faça dela um lugar comum.
Não a banalize.
Não a utilize em vão.
Que cada vez que seus lábios a pronunciem
venha com sabor de fruta madura colhida no pé
daquelas que dá vontade de agarrar com as mãos
levar à boca
trincando os dentes
se fartando em seu sumo e polpa.
Que cada vez que o som sair de sua boca
traga o prazer da água cristalina
bebida na fonte
aplacando a sede mais feroz.
Que a palavra amor seja em seus lábios
verdade e sentimento.
E em seu coração, todo imensurável bem que é.

quarta-feira, junho 03, 2009

Do fundo do baú - 01


Arrumando a casa chego, finalmente, aos papéis.
Escritos antigos, rascunhos, poemas, crônicas, enfim... coisas que nem me lembrava mais, palavras rabiscadas em momentos indefiníveis na memória... para reorganizar, colocar aqui um a um, por um tempo. Até porque minha produção hoje é pífia, há muito não escrevo, há muito não tenho 'surtos' criativos... então, do fundo do baú, um poema - meio erótico, talvez. Filhas, não se escandalizem. Essa, afinal, é sua mãe - mulher antes de tudo.
...
Ouço o barulho do portão
nem bem chego à porta
meu homem
todo mãos
e mãos
e mãos
e língua
e beijos
me tira o fôlego
e nem sei
minhas mãos
onde vão.
Seu beijo me toma toda
e o vestido no chão
apara o gozo
protege o corpo
desse urgência
sua
minha
sempre.
Então
brincando
displicente
com um bico
do meu seio
me olha
sorriso maroto
'oi, meu amor.
senti saudade.'
Essa é minha verdade.

quarta-feira, maio 20, 2009

Casa cheia!


Sua ausência toma todos os espaços. Eita ausência espaçosa, sô!

terça-feira, abril 28, 2009

Pequeno monólogo para você


Confesso que, ao saber de sua existência, minha primeira reação - depois da raiva e da indignação - foi curiosidade: é bonita? Inteligente? Bem humorada? Melhor que eu em quê? Creio ser natural da essência feminina esta curiosidade sobre 'a outra', quando se depara com sua existência.
Depois a identificação, afinal haviam semelhanças: envolvidas com o mesmo homem - de maneiras diferentes, pode ser, mas cada uma com uma história romântica (?) pra contar sobre este envolvimento. Eu havia feito há um ano uma cirurgia a que você se submeteria exatamente um ano depois. Ambas de signos de fogo, fortes, independentes, bem resolvidas (?). Depois veio a reflexão, a ponderação. Cobrar algo de você? Impossível, pois não nos conhecíamos, não tínhamos laço algum, você não me devia nada - nem consideração. Para cobrar, necessário ser à pessoa certa, aquele que colocou você na minha vida, mesmo que indiretamente e sem permissão - com ele, sim, haviam laços, carinho, amor, entrega, consideração, confiança. Se fosse pra cobrar, o devedor era ele, não você. Possível perdoá-lo e a tudo o que aconteceu, o modo como aconteceu? Possível? Talvez, com maturidade e todo o aprendizado de vida que eu trazia. Tentei - continuo tentando. Possível perdoar sua existência no contexto? Quem sabe? Então conversamos, eu e você. Enorme conta de celular, necessária porém - pelo menos pra mim. Pra tentar absorver, entender, aceitar. E experiências anteriores, inflexibilidades anteriores, arrependimentos anteriores me levaram a 'perdoar' e persistir, 'vejamos se dá certo'. Muito contribuiu pra isso nossa conversa 'não, eu não o quero mais, de maneira alguma...'. Porque existem coisas que eu não sei dividir, sabe? E relacionamento amoroso é uma delas. E ele me conta que você ligou várias vezes querendo vê-lo, que mandou inúmeras mensagens, que mandou e-mail, que o procurou - até se matriculou na mesma academia que ele! Penso com meus botões que você não foi sincera comigo (nem tinha porquê, não é mesmo?), e está certa: batalhando por algo que quer, que deseja, que acredita conseguir. E digo a ele: 'meu compromisso é com você. Que ela o procure, tente seduzi-lo não é problema meu - que você não resista, é'. E sigo minha vida, alheia à você que insiste em se fazer presente, visitando amiúde meu perfil no orkut, criando fakes pra se aproximar de mim, convidando meus amigos (reais) pra lhe adicionarem, buscando referências em coisas do meu universo (fragmentos)... ainda assim, sigo meu caminho, embora não resista a breve interlúdio (monitorando?). E pronto. Não visito seu perfil - acho meio mórbido isto de ficar olhando, querendo saber - não, não sou alienada, apenas não sou encanada. E sim, acredito de verdade que seríamos amigas se nossos caminhos houvessem se cruzado em circunstâncias diversas: você parece ter senso de humor, parece inteligente, parece ter bom gosto, enfim, parece uma pessoa legal, e penso que havemos de ter muita coisa em comum. Mas as circunstâncias não foram as mais propícias pra se cultivar uma amizade entre nós, há de convir comigo. E continuo caminhando, alheia à você. Aí descubro que você mandou email pra minha filha (mais que um), contribuindo pro blog dela, onde conta que acompanha meu blog, e nosso blog. E continua visitando meu orkut, no dia do seu aniversário inclusive, será que queria os parabéns? Cabe aqui ser honesta: está começando a me incomodar. Por que isto, esse acompanhamento constante? Gostaria muito que você passasse uma borracha sobre o que aconteceu, sobre minha existência, enfim, e me ignorasse. A mim, aos meus amigos, aos meus filhos. O mundo é bão, Sebastião, já dizia uma grande amiga de minha filha. E acrescento: o mundo é enorme. Tanta gente nele pra você conhecer, pra você conversar, pra você ser amiga... 'vai, Carlos, ser gauche na vida', já dizia Drummond. E parodio o poeta: vai, Petit Jolie, ser feliz na vida.

quinta-feira, abril 09, 2009

Resiliente


Sob as nuvens
traço rotas
que nem sempre
levam a algum lugar.
Sob
as nuvens
sigo
a traçar.

quinta-feira, abril 02, 2009

"Não me acho..."


Durante muito tempo convivi com pessoas que, apesar de não fazerem diferença na minha vida, não gostavam de mim. De alguma forma me achavam metida, bossal, pedante, prepotente, petulante e todos os outros adjetivos nesta linha que se possa pensar - e, como boa leonina que sou, me surpreendia quando apenas desconfiava que havia alguém no mundo que podia não gostar de mim. 'Como assim, não gosta de mim? Se eu nem conheço essa pessoa...' ou 'Mas se nunca fiz nada à ela, nem de bom nem de ruim, porque não gosta de mim?'. Tinha dificuldade em entender que às vezes era assim: justamente por não fazer parte do meu universo aquela pessoa não gostava de mim. Havia também aquelas poucas de quem eu não gostava, e não queria que gostassem de mim também - e realmente sempre foi muitomuitomuito pouco o número de pessoas que eu não gostasse, por um motivo ou outro. Gosto de gente, e ponto.
Mas houve um tempo em que algumas pessoas não gostavam de mim por causa da minha atitude, e a culpa disso foi toda de minha família, que me fez quem sou. Descobri que tem gente (mais do que seria desejável) que não tem auto confiança, cujo amor próprio é frágil e delicado, e que não consegue conviver com pessoas que 'se acham'. E feliz ou infelizmente, olha eu aí incluída neste grupo. Ops! "Não, mãe, você não se acha: você tem certeza!" :)
E sim, se me acho, sou uma achante inocente - a culpa é toda de meus avós, de meus pais, de meus tios, de meus irmãos, de meus primos, de meus filhos, de meus sobrinhos, de meus padrinhos, de meus amigos... e explico: desde que me entendo por gente, me acompanha a sensação (tá, tudo bem, descontando poucos momentos de fragilidade emocional...) de ser amada. Cresci com a certeza do amor incondicional de minha família: me mostravam sempre que eu era bonita, meiga, inteligente, esperta, criativa, querida; que os erros que cometia todos tinham solução, de que o mundo era o limite pra mim e os meus sonhos... havia sempre um colo quando eu caía, um ombro quando eu chorava, um abraço quando ficava carente; um ouvido pras minhas canções, pros meus sonhos; uma resposta pras minhas dúvidas; e infinita esperança sobre minha felicidade... como não crescer me achando?
Tudo isso desenvolveu em mim a auto confiança e o amor próprio, o que me faz caminhar pela vida de cabeça erguida, ombros em prumo, nariz erguido olhando o sol e as estrelas... apesar das dúvidas, dos medos, das encruzilhadas, dos tropeções. Por isso a felicidade é parte de mim.
E acho que consegui passar um pouquinho disso para os meus filhos... mas tenho certeza de que errei em um ponto: eu sempre acreditei, e sempre disse :'conheço muito ex marido e ex mulher... mas não conheço ex mãe, ex pai, ex irmão (o que, inclusive, lembra outra história legal de contar com o San), ex filho'... nunca coloquei o amor de um homem no mesmo patamar do amor de família (sabe, né? Sempre há a possibilidade de se tornar ex...) e hoje acredito que estava errada. Afinal, não é um homem e uma mulher o ponto de partida pra família que dá tanta segurança? Talvez tenha me faltado maturidade pra ver com os olhos certos isso aí... mas sempre pensava que homens podem trair (não que isso seja imperdoável ou que mulheres não traiam, é que conviver com traição é complicado e mulheres não fazem meu tipo...)
mas hoje caminho pela vida com olhos de ver além e maturidade de entender o que antes não aceitaria, e trago essa certeza no coração: um homem também alimenta nossa auto confiança, nosso amor próprio, nossa auto estima. Um homem também pode nos fazer sentir sempre linda, inteligente, criativa, sensível, importante, sedutora, sexy, essencial... o amor de um homem pode fortalecer nossos passos pela vida.
É muito bom sentir-se amada.

É muito bom.

quinta-feira, março 26, 2009

Lembranças


Aquele dia não houve aula - a tempestade que havia castigado a cidade tinha deixado a escola sem luz.Voltávamos para casa, eu e meu irmão, como sempre, a pé - afinal, a distância não era muita, e na verdade este percurso era feito com muita farra e brincadeiras, no alto de nossos dez e oito anos de idade. No meio do caminho tinha uma praça, tinha uma praça no meio do caminho, onde amávamos correr livres e soltos, gastando boa parte do tempo de volta pra casa... mas neste dia em particular estava toda molhada e meio alagada em alguns pontos, então não nos demoraríamos com brincadeiras, mas vínhamos rindo e conversando, quando meu irmão saiu correndo:
- Arrahhhhhhh!!! Eu sou o Tarzannnnnn-êêêêiiiiiaaaaaaaaôôôôuuuuuuuuuuuuu!!!!!!!!!
Só percebi que seu grito na verdade não era a imitação do herói quando, num solavanco, ele foi atirado bem longe do 'cipó' onde havia se pendurado pra brincar de Tarzan, e caiu num tombo feio e barulhento, começando a chorar... na verdade o pobrezinho havia pulado com toda vontade num fio de energia rompido pela chuva, mas ainda com corrente elétrica... depois de acudir, apavorada, e ver que estava tudo bem, me acabei em um riso que parecia não ter fim!
Esse episódio faz parte de uma coletânea que amamos recordar nas festas de família, regadas a cerveja, churrasco e música sertaneja...
Vez em quando dá uma saudade tão grande e tão boa de momentos assim...

quinta-feira, março 19, 2009

Do pai dos burros...


PERTENCENTE, adj. Que pertence; concernente. relativo. per.ten.cen.te.
PERTENCER, v. t. Ser propriedade de; formar; ser parte de; dizer respeito; caber; incumbir; ser devido ou merecido; ser próprio de; ser de jurisdição ou obrigação de alguém. per.ten.cer.
'PERTENCENIMENTO': neologismo criado por minha mente fértil. :)
A primeira vez em que esta palavra me veio à mente, sem saber se existia ou não (mas tudo o que tem nome existe!), foi num momento muito triste da minha vida: o velório de meu pai.
Num instante qualquer do tempo em que o corpo de meu cabeça branca era velado e pranteavamos sua partida, olhando toda a família ali, sentindo o carinho e o cuidado de todos os tios, primos, amigos nos envolvendo e protegendo, alguns vindos de tão longe apenas pra se despedir dele, me invadiu como nunca a sensação de "pertencer". De fazer parte de uma família enorme, maluca, unida, solidária. De ser parte da vida de pessoas que fazem a minha vida. De saber de onde vim, quem sou, porque estou aqui. De pertencer à uma grande unidade aconchegante e protetora, formada de várias pequenas outras unidades... me invadiu, apesar da dor imensurável que sentia naquele momento, um grande conforto ao poder ter o aconchego e o carinho de todos ali, sofrendo conosco a perda do 'tio Ney', e querendo amenizar um pouquinho que fosse a nossa dor... acho que nunca, em todo meu tempo de vida, foi tão importante a minha família toda reunida: todos os tios e primos, tanto por parte de mamãe quanto de papai, sofrendo conosco e dando força pra segurar a onda e superar a dor... a palavra que me veio naquele momento, que definia essa coisa tão boa que me invadiu, foi esta: PERTENCENIMENTO. A sensação de saber quem sou; de onde venho; que existem pessoas que, mesmo conhecendo minhas manhas e meus defeitos, me amam e aceitam como sou... a sensação de pertencer a um lugar, a um grupo, a uma célula forte. A sensação de ser amada sem restrição.
...
Para a minha mais fiel e crítica leitora, esta explicação - desnecessária, pois também ela sabe o que representa esta palavra, também ela sente exatamente o que sinto. Espero, porém, que tenha sido satisfatória. É algo mais que SHUMP - e não mensurável.

quarta-feira, março 18, 2009

Tempo, tempo, tempo.


Algumas coisas acontecem, às vezes, sem motivo - ou talvez nós é que não percebamos a razão - e mexem tanto com o sentimento da gente...
Ontem falei com mamãe pelo telefone, tão bom o papo, tão grande a saudade... tão bom este colo sempre tão pronto e cheio de aconchego...
Ontem falei com Lucia pelo Orkut, e deu uma saudade tão grande... tão boa... tão inexata...
Ontem recebi um e-mail de Marcinha, colega de faculdade, a quem nunca mais vi depois da formatura, falando sobre o último encontro da turma (já houveram vários, e não estive em nenhum...). Outra saudade, diferente, indefinível.
E um sentimento tão exato de 'pertencenimento'.

quinta-feira, março 12, 2009

Sobre o amor e sobre amar...


Já diziz Goethe que 'nada nos faz necessários a não ser o amor'.
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Tão bom olhar a lua cheia, imensa, iluminando a varanda de casa e saber que você olha a mesma lua na janela do seu quarto, e essa lua tão cheia nos aproxima... tão bom saber que o lugar ao seu lado na cama está guardado pra quando eu chegar... tão bom ter o ninho dos seus braços pra me aconchegar e fazer me sentir protegida... tão bom nosso abraço e nosso encaixe... tão bom seus dedos enrolando meus cabelos enquanto conversamos baixinho... tão bom sua pele na minha, seu calor misturado ao meu, seu colo, seu cheiro, seu olhar carinhoso e seu jeito protetor... tão bom você na minha vida!
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Tão bom me sentir necessária...

quinta-feira, março 05, 2009

Pequeno balanço 'sentimental'


1. Minha mãe mora em Goiânia.
2. Meu irmão mais velho mora em Itapeva.
3. Meu irmão mais novo mora em Goiânia.
4. Minha irmã mora em Goiânia.
5. Minha filha mais velha, que passa um tempo comigo, está programando sua partida.
6. Minha filha mais nova mora em Curitiba.
7. Meu filho mora em Curitiba.
8. Meu namorado mora em Salvador.
9. Tenho (verdadeiros) amigos em Foz do Iguaçu.
10. Tenho (verdadeiros) amigos em Curitiba.
11. Tenho (verdadeiros) amigos em Corbélia.
12. Tenho (verdadeiros) amigos em Mar Grande.
13. Tenho (verdadeiros) amigos em Goiânia.
14. Moro em Valença.
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Acho que não bato bem das idéias, afinal.

quarta-feira, março 04, 2009

Agenda da Tribo, ainda


Não gosto de quem tem sempre certeza
de quem não suspende a respiração por um amor
de quem encerra todas as frases com ponto final
de quem não exclama, diz que não ama
de todos aqueles que nunca passaram mal
Não gosto dos que nunca sentiram a chuva em seus rostos
não gosto de quem nunca morreu de rir
nem chorou a noite inteira por alguém
Não gosto dos que não gostam de cachorro
dos que não tem sua música preferida
filme preferido
dos que sempre tanto faz
dos que nunca querem mais
Fernanda Michele Maciel Sarate

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Poema


sinto, meus filhos
se só lhes deixo
palavras ao vento
retalhos (gastos)
de versos inacabados
dívidas de dúvidas
pra que vocês (a) paguem
(cem conflitos)
dividam entre si
(e transmitam aos seus)
a riqueza de espírito
(Valéria Tarelho)
...
Não sei quem é a autora, não tinha ouvido falar dela até este momento, quando me deparo com este poema no Livro da Tribo de 2009, nona página. Gostaria de tê-lo escrito. Como não o fiz, o reproduzo com o devido crédito. Serve de testamento para mim também.
...

domingo, fevereiro 15, 2009

"Mais um ano que se passa, mais um ano sem você..."


"... já não tenho a mesma idade, envelheço na cidade..."
Hoje é um aniversário.
Ao contrário de tantos outros, não há bolo, não há balões, não há docinhos, nem festa, nem alegria. Talvez já exista um pouco de paz. Talvez a dor já não seja tão grande; talvez, por ser companhia constante, já tenha me habituado a ela, talvez. O que sei é que já posso me lembrar sem lágrimas - quase sempre. Salvo poucas vezes em que sou pega de surpresa, ao som de 'fio de cabelo', num momento frágil, e aí não consigo mesmo segurar a onda - é tão forte sua presença, sua voz cantarolando, o som de seus passos no corredor, o seu sorriso ao pegar no pé de alguém que não dá pra segurar - e em silêncio as lágrimas descem.
Penso muito no senhor, paizinho, amiúde. Não, não penso conscientemente nem deliberadamente. Não penso na falta que me faz (apenas sinto) ou em como se foi. Penso muito em sua vida, que foi um aprendizado pra mim. Penso em todas as dúvidas e medos e anseios que o senhor teve, penso nos sonhos que sonhou e não pôde realizar, penso em tudo o que abriu mão por nós, penso em erros tentando acertar, penso na sua fragilidade não exposta, penso em como se sentia cada vez que os problemas batiam, em família, à sua porta.
Uma vez li, em algum lugar, que só conhecemos e valorizamos verdadeiramente nossos pais depois que eles se vão, e acreditava, do alto de minha soberba sabedoria, que já o conhecia e valorizava o suficiente, talvez até mais do que o senhor merecesse. Meu Deus, quem sou eu???? Quem sou eu pra pensar em julgar o que o senhor merecia????? Quem sou eu pra saber o que ia em seu coração cada vez que traçava passos em linha reta e o destino teimava em desviar para um lado, para outro, para trás? Quem sou eu pra saber de seus medos, suas angústias, quem sou eu senão a filha mimada e egoísta que só via seu próprio umbigo, achando tolamente que o mundo girava em torno dele??? Ah, Deus, como era certo o texto que li! A falta, a saudade, a certeza de não poder mais partilhar momentos alegres ou tristes, tudo isto redimensiona nossa visão, nossos conceitos, nossa fé.
Hoje faz um ano que o senhor partiu. E hoje sei que queria ter tido mais tempo pra estar junto, pra conversar, pra colocar no colo, pra pedir colo. Hoje sei, com toda certeza do mundo, que tudo o que vale a pena na vida é o amor, e que é importante estarmos juntos àqueles que amamos, e não perdermos tempo brigando, discutindo. Hoje sei mais que nunca o quanto o amei, meu pai, enquanto estava pleno de alegria entre nós, e o quanto este amor ainda é vivo dentro de mim. E o que me deixa com um pouco de paz no coração é saber que, onde quer que esteja, o senhor sabe disso tanto quanto eu - sabe de meu amor, de minha gratidão, de meu respeito e de minha admiração. Eu só queria ter tido sabedoria pra demonstrar isto enquanto estava ao seu lado - mas isto é algo que não dá pra mudar. E que vai me acompanhar pra sempre. Assim como o meu amor, papai.
A foto aí de cima foi tirada logo depois do natal de 2007, momentos antes do San viajar de volta pra casa. Pouco menos de dois meses de sua partida. O último natal em que estivemos todos juntos - e o senhor já estava tão frágil, papai. Talvez fosse melhor não colocá-la aqui - mas é pra aplacar um pouquinho essa saudade, e essa dor de saber que momentos como este não vão mais acontecer.
Fica em paz, paizinho, onde quer que você esteja, com a certeza de nosso amor e nossa gratidão por ter nos proporcionado a chance de sermos quem somos, e por ter nos permitido ser tão felizes enquanto estava entre nós.

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Penso, logo existo.

Não devia ser sonho, logo existo? Em fase de questionamento... será que quarenta e quatro anos é muito tarde pra se descobrir? Crise tardia de identidade? Puxa! Se Lya Luft começou a escrever aos quarenta, se viveu um grande amor depois desta idade, se mudou sua vida a partir de então... Tá, tudo bem. Não sou Lya Luft, bem sei. E ainda bem, porque se fosse, perderia seu exemplo que amo citar! :) Mas como Lucemary, não posso ter essas crises? Esses questionamentos? Questiono-me desde sempre, pelo que me lembro - apesar das certezas todas que carrego comigo, desde sempre também. Lucemary. Lucemary Peres. Lucemary Peres de Assis. Lu. Looper. Coisas bobas, pensamentos bobos, questões bobas. Será? Elocubrando, apenas. Por falar nisto, existe mesmo esta palavra? Não encontro agora o 'pai' pra saber - e tô com preguiça de procurar na net. Foi só pra contar pra minha fiel, atenta e tão semelhante leitora, que faz parte, afinal: medos, dúvidas, questionamentos. Mas a melhor parte é quando a gente "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima"! Ou, como diria um leonino genuíno, quando a gente sacode a juba, arranha a garganta num rugir sensacional, olha em volta e percebe que tudotudotudo vale a pena. Até os medos revelados inadvertidamente - porque no fim, você é soberano, e pronto. Nem que seja de seu próprio mundo - ou de seu infinito particular.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Caminhos, destinos e afins


A gente nasce e bom... não tem muita escolha. Somos cuidados, bem ou mal, por nossos pais, a quem podemos amar ou não, e que traçam nosso caminho até que estejamos aptos a nossas próprias escolhas.
A primeira delas, no meu caso especificamente, foi o vestibular. "O que é isso de relações públicas, filha? Tem doutora antes?". Não, mãe, não tem. Na verdade não tem nem muito futuro se a gente não acredita de verdade. E na verdade essa escolha foi errada, eu queria jornalismo. Optei por RrPp por ser menos concorrido, de escore menor, e por ironia, passei com média suficiente pra jornalismo. Mas aí, pensei, posso depois fazer reaproveitamento e 'voilá': dois cursos! Que nada... no meio do caminho, outro caminho se cruzou ao meu, e juntos trilhamos outros passos que nos levaram a escrever uma grande história e três filhos e depois, nossos caminhos se separaram. E aí também não haviam escolhas, filhos pequenos e uma vida pra levar... não dava pra sonhar. Os filhos cresceram um tanto, e cada um seguiu seu caminho, entoando seu canto ao vento... e aí então, era a hora de outra escolha. E a escolha foi por voltar atrás, pra cuidar das pessoas que haviam cuidado de mim, me dado amor, me possibilitado ser quem sou... até a despedida triste, e a constatação de que, por mais que caminhemos, nossos caminhos sempre parecem incompletos, imperfeitos, inacabados. Então, mais uma vez, escolhas. Sem marido, sem filhos, sem pais, sem ninguém que precise de mim. Podendo escolher de verdade o caminho - de sonhos ou não. Meu Deus, como é difícil!!! Escolho chutar o pau da barraca, jogar tudo pro ar e ir viver na praia, com um ateliê de artesanato, vendendo sanduíche natural e escrevendo poemas... mas esta escolha, a dos sonhos, infelizmente não paga as contas. E estas, rapaz, são tantas!!!!
É isso aí. Uma pessoa, numa encruzilhada, e alguns caminhos. Qual deles escolher? Qual seguir? Será que saberei escolher o que eu quero de verdade? E o que eu quero de verdade? O que me fará feliz? Será que algo me fará feliz?

quarta-feira, janeiro 07, 2009

"Eu prefiro ser..."


"... essa metamorfose ambulante..."
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Quando as pessoas cantam esse refrão da música do Raul, esquecem o restante. Acham que 'metamorfose' aplica-se somente à aparência. Esquecem o 'do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo'...
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E eu não consigo ser assim. Mudo a aparência, mudo os sonhos, mudo as crenças - embora a essência permaneça.
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Hoje estou loira, loiríssima.
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E acredito que, contrariando Jobim, 'é possível ser feliz sozinha'...
Se bem que isto não é uma mudança, né? Já que sempre acreditei nisto...