Momentos. Reminiscências. Vivências. Sentimentos. Lugares. Pessoas. Músicas. Poesias. Livros.

quarta-feira, junho 23, 2010

Brasil 3 x Costa do Marfim 1

Resultado muito melhor do que o anterior, né?
:D

sábado, junho 19, 2010

Conforte-me com maçãs

Capítulo 09, "Chovendo Camarões", Página 211:
"Ela abriu as portas de meu quarto e entrei, caminhando sobre grossos tapetes brancos até um banheiro de mármore branco. O quarto estava cheio de flores. Uma garrafa de champanhe repousava em um balde de gelo, uma cesta transbordava de mangostões e rambotãs. A mulher me conduziu até a porta de vidro do terraço e para fora até o parapeito. Abaixo de nós o sol rebrilhava nas águas do rio, como se a cortina de poluição pairando sobre a cidade tivesse sido aberta. Em Bangcoc, pensei, o sol brilha somente para os ricos."
***
Tudo bem, tudo bem. Isto, por vezes, acontece não só na Tailândia, mas no mundo todo.
Mas o que me chamou a atenção foi a cesta transbordando de mangostões e rambotãs... :D
Durante a breve visita de minha mãe aqui em Valença, Bahia, Brasil, comprei alguns frutos para que ela conhecesse, e fotografei, esperando uma inspiração para escrever sobre eles e seu gosto delicadamente diferente e, agora pela manhã, lendo o livro pelo qual estou encantada, encontro a passagem acima. Quem não conhece os frutos fica pensando em cachos lindos e exóticos transbordando pela cesta... pode até ser. Mas aqui não são vendidos em cachos, apesar de serem bastante bonitos.
***
Mangostão man.gos.tão
sm malaio manggustan 1 Bot Árvore gutífera da Índia e da Malásia (Garcinia mangostana).
2 Fruto desta árvore. 3 Farm Pericarpo deste fruto, usado como adstringente. Var: Mangusta, mangustã, mangosta e mangostã.
(Dicionário Michaelis Online)
Mamãe provando mangostão. Será que ela gostou?
(Tá, Paulinha, eu sei, eu sei. Tomar cuidado com o fundo... mas era a cozinha, e na hora nem me preocupei com tal detalhe...)
***
Originário do arquipélago malaio, o rambutan é muito semelhante à lichia, tanto em beleza quanto em paladar, pois pertencem à mesma família (Sapindacea).
(No Michaelis, não há Rambotão, sim Rambut, que leva à Rambuteira)
Infelizmente não pude registrar mamãe provando o rambotã... a moça do hortifruti foi muito gentil e partiu um na hora, pra ela provar. Eu estava sem a câmera. Mas posso garantir que teria sido uma foto muito melhor do que ela provando mangostão... rssss... impagável. E sim, sei que ela vai ter ganas de me matar quando ver este post, mas... não pude resistir.)

quinta-feira, junho 10, 2010

Reflexos

Odeio essa porcaria deste notebook. Que do nada deletou o texto que eu tinha escrito. Odeio. Prefiro computadores grandes, com monitores grandes, com teclados que não buscam traiçoeiramente atalhos que apagam do nada o texto que você tinha escrito sem rascunho porque a porcaria do blogger salva automaticamente mas ele não tinha salvo aí você perde tudo. Os cinco minutos de inspiração e genialidade que demoraram muitomuitomuito tempo pra aparecer se vão em um segundo de distração. Ah, estava tão legal o texto... saco.

domingo, maio 02, 2010

Comemoração


"Parabéns, Lu. Você passou na Federal."
Isso foi dito tão tristemente, tão pra baixo, que não acreditei que fosse verdade. Eu estava em Maringá, hospedada na casa da tia de minha amiga Luciana, fazendo prova pra UEM. Chego da prova, último dia, e recebo a notícia, mas do jeito que foi, não acreditei. Não me toquei, na hora, que é porque Luciana, que tinha feito prova pra psicologia na Federal, não tinha passado.
Viajo à noite, e chego em Foz sexta de madrugada: rodoviária cheia, muitos amigos, cartazes, festa. Era verdade, afinal.
"Parabéns, parabéns!"
Agora com a alegria de pai, mãe, família, amigos, todos que torciam muito por mim.
"Churrasco hoje à noite pra comemorar!"
Meu pai não cabia em si de orgulho, de felicidade, de realização. A primogênita era também a primeira neta a passar no vestibular numa instituição federal, orgulho de toda a família, enfim.
"Filha, o que você quer?? Pode pedir!"
"Posso mesmo, papai? O que eu quiser?"
"Claro! Você merece!"
"Posso tomar um porre?"
"Pode!"
...
E assim foi. Trocentas cervejas e nem alterava-se minha alegria natural. "Que coisa é essa, que bebo e nada? Não entendo porque este povo gosta de beber, então!"
Aí acontece minha perdição: passa alguém com um big copo de caipirinha. "Experimenta, Lu."
"Hummmm, é bom", e viro o copo. E o porre chega num átimo. Rapaz, foi histórico. Eu brigando porque a Ju estava lá, e sabe-se lá porque cargas d'água eu não a queria ali, minha mãe tentando me acalmar, todo mundo feliz mas preocupado, e eu só queria papo com Helena. "Baixinha, eu te amo!" Banho pra melhorar e dormir? Só se a Baixinha cuidar de mim, mais ninguém. E claro, logo depois, apaguei.
Acordei no outro dia nova em folha, todos dormindo, limpei toda a casa, lavei a louça, lavei garagem, calçadas, e fui pra casa da Nadir (mãe da Ju, santa criatura). Depois pra casa da Vilma, até o povo todo acordar. E o dia foi assim, sem ressaca. "Que coisa é essa, que o povo reclama de ressaca e não sinto nada? Acho que posso beber sempre, então!"
...
Domingo pela manhã acordo e abro os olhos. O teto vem bater na minha testa. O dia todo enjoada, dor de cabeça, corpo ruim, ressaca é isso??? Não bebo nunca mais!
...
Claro que bebi outras vezes. E tive inúmeras ressacas - de alguns porres históricos, como o da noite de núpcias (rapaz, pode acreditar!). Mas o meu primeiro porre, ah, não dá pra esquecer. E agora descubro que Adriana, amiga querida que estava lá, tem fotos. Prá lembrar e matar a saudade - da adolescência, de pessoas amadas, do meu pai. Que foi o melhor pai que eu podia ter desejado no mundo.

quarta-feira, abril 28, 2010

O Rio de Janeiro continua lindo...

... e fora uma praia que eu nem sei qual é, não conheci nada dele. Ops! A não ser, claro, o Galeão. Este já é meu íntimo, aliás. ... Casamento da Thaís, futura mamãe da Nicole. Família reunida. Nossa! Tem coisa melhor que isto??? Acho que só dois disto. ... Acho mesmo que tá na hora de voltar pra casa, afinal.

domingo, março 28, 2010

Fé

"E você acredita nisto?", me pergunta o chefe quando digo que, se Deus quiser, meus projetos profissionais vão começar a se encaminhar neste ano.
"Ué, claro que sim! Se Deus quiser!!!"
"Não, você não entendeu. É nisto que pergunto se você acredita."
"???" (Cara de quem não tá entendendo).
"Deus, Loira. Você acredita em Deus?"
"E você, não?"
"Não, eu não acredito."
...
Sim, eu acredito. Não no Deus dos católicos, dos evangélicos, não em deuses pagãos.
O Deus em que acredito não tem religião, e é infinitamente bom. Mas também é justo. E sabe a maneira de tratar com cada um de seus filhos aqui na terra - por isto ainda não ganhei na megassena (ele me conhece, este meu Deus, e sabe que no fundo, no fundo, isto não seria bom pra mim).
O Deus que eu acredito é generoso - tão generoso que, mesmo que por vezes não mereçamos, Ele nos dá uma segunda, uma terceira e quantas chances forem necessárias para aprendermos. Mesmo que a gente insista nos mesmos erros, e em acreditar que somos donos da verdade e da justiça.
O Deus que eu acredito não dá ponto sem nó - mesmo que o nó esteja um pouquinho distante.
Este meu Deus gosta muito de mim, e não sei porque. E isto é só mais um motivo pra eu acreditar na sua infinita bondade e generosidade. Veja só: Ele me possibilitou nascer numa família supimpa (putz, isso é muito antigo, hein?), especial, onde somos todos (apesar de divergências ocasionais de opinião) amigos. AMIGOS de verdade, no sentido mais amplo da palavra. Ele me possibilitou pai e mãe que me fizeram crescer sabendo o que é certo, o que é errado. Que me ensinaram o valor da palavra, da justiça, da bondade. E que me fizeram crescer com a certeza de um amor infinito, embora não cego - o que é melhor ainda, pois me amaram desde sempre com todos os meus defeitos (e não são poucos!) e qualidades. Junto com estes pais, vieram tios e avós que sempre, por toda a minha vida, me fizeram sentir especial: a Lucinha de seus corações. E posteriormente, três irmãos fantásticos, amigos de toda hora e qualquer encrenca. Como se não bastasse, Ele me deu a possibilidade de ser mãe três vezes!!! De três seres humanos ímpares, especialíssimos, que aprenderam a olhar as pessoas e a vida com olhos de coração, e que possuem caráter e bons sentimentos e me fazem sentir orgulho de ser sua mãe.
Ele me possibilitou um bom emprego, ser boa aluna, ter ótimos amigos, viver num lugar lindo, caraca!!! Como é que não vou acreditar em Deus??? Quer dizer que tudo isto, toda essa infinitude de coisas boas que me acontecem são obra do acaso??? Ah, não. Não acredito mesmo nisso.
E este Meu Deus é tão bom, tão bom, que todas as noites, ao deitar-me, só tenho a agradecer. E sinto-me constrangida em pedir - porque me sentiria muito egoísta, tendo tanto quando outros tem tão pouco, e ainda pedir mais.... mas às vezes, ah, não dá pra segurar. Às vezes, como agora, peço.
E tudo o que eu peço, mais uma vez, é que Ele continue iluminando meu caminho - e me mostrando o rumo a seguir - porque quando isto acontece as coisas se encaixam e se sucedem como por encanto.
...
É, eu acredito em Deus.

terça-feira, março 16, 2010

Manhã de terça, 16/05/10

Converso com minha filha pelo MSN. Nada melhor que isto. . Mentira. . Melhor que isto se ela estivesse ao alcance do meu abraço. Melhor que isto se estivessem os três online. Melhor que isto se estivessem os três ao meu lado, todomundojuntoreunido.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Segunda feira de Carnaval, uma saudade no coração

"Naquela mesa ele sentava sempre E me dizia sempre o que é viver melhor Naquela mesa ele contava histórias Que hoje na memória eu guardo e sei de cor Naquela mesa ele juntava gente E contava contente o que fez de manhã E nos seus olhos era tanto brilho Que mais que seu filho Eu fiquei seu fã Eu não sabia que doía tanto Uma mesa num canto, uma casa e um jardim Se eu soubesse o quanto dói a vida Essa dor tão doída, não doía assim Agora resta uma mesa na sala E hoje ninguém mais fala do seu bandolim Naquela mesa ta faltando ele E a saudade dele ta doendo em mim Naquela mesa ta faltando ele E a saudade dele ta doendo em mim"

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Matheus


Salvador, 18 de janeiro, 2010.


Estou na sala de estudos do Tropical da Bahia, tentando estudar.
Tem uns quarenta minutos que o Pepeu Gomes tá aqui, com duas mulheres, fazendo uma reunião. Chegaram, entraram, e o meu silêncio, precioso pro estudo, foi pras cucuias.
Aí pensei em escrever pro meu filho, Matheus, que hoje completa 18 anos, mas caracas!
Nem isto estou conseguindo, este povo não se toca.
E eu até gostava do Pepeu. Até agora.
...
De qualquer forma, fica registrado, filho meu, meu desejo de Feliz Ano Novo.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Sobre coisas e coisinhas...


Tenho mania de escrever bilhetinhos. Escrevi pra cada filha um caderno - com textos meus, poemas, trechos de autores que gosto, cartõezinhos... e estou escrevendo outro pra outra pessoa a quem amo. Gosto de fazer cartões, escrever cartas, fazer pequenos mimos. Gosto de mostrar às pessoas o meu amor. Gosto de guardar pequenas lembranças. Tenho, como todo mundo, uma caixa de guardados. Melhor, várias. Tenho uma onde guardo todos os bilhetinhos, cartões, cartas que meus filhos me fizeram ao longo da vida. Tenho outra onde guardo todas as cartas de Lylia. Tenho ainda uma onde guardo os cartões do meu amor. Também outra em que guardo bilhetes, cartões, cartas de outras pessoas: um bilhetinho de Maria Teresa, ainda da faculdade, muito lindinho; um de Lucius, meu amigo de coração azul; e uma carta colagem de BobJunior. E um poema de Mondini. E guardo na lembrança uma caixa virtual, já que a real está perdida no espaço e no tempo, que traz ainda outros telegramas, cartões, bilhetinhos, papéis de bombons, flores secas: de Maria José, de Luciana, de Vó Cecília, de Rose, de Zildinha, de tanta gente que mora no meu coração! ... Hoje descubro um site que fala com propriedade o porque gosto de guardar tudo isto: http://layoutmann.blogspot.com/2009/10/papeis-revirados.html ... Gostei do texto - e de descobrir alguém que sente a mesma falta que eu.

sábado, outubro 10, 2009




"Tenho fases, como a lua: fases de ser sozinha, fases de ser só tua."
Cecília Meireles

quinta-feira, outubro 08, 2009


terça-feira, setembro 22, 2009

O mundo precisa ser mesmo assim?

A gente reclama, reclama, e não muda, não faz nada no sentido de alterar mesmo algo pequeno... porque as grandes mudanças começam, sim, por pequenas coisas - por mais que digam que não. Se a família tá toda espalhada, se os amigos estão um em cada canto, o que se pode fazer?? Impossível, por mais que se queira, juntar todos e seus interesses diversos, pessoais e coletivos, num único lugar - então, porque cargas d'água insistir em sofrer com isso????
A morte traz uma nova perspectiva da vida.
Acho que nunca, em tempo algum, senti-me assim tão frágil e desprotegida. A consciência inequívoca de que não tenho mais o colo de meu pai para me abrigar, seja em qualquer circunstância, dói em meu coração uma dor tão imensa, tão profunda, tão persistente e permanente que não sei nominar, não posso explicar Antes, ainda que doente e debilitado, ele estava lá. Sua figura era um porto seguro em tempestades inesperadas - e saber que agora, mesmo que o mundo caia sobre minha cabeça não terei sua presença, seu colo como referência de segurança e paz, saber isto com esta certeza plácida e imutável, dói.
A morte traz uma nova perspectiva da vida.
Penso em minha mãe, tão distante de mim. Penso em meus filhos, mais distantes ainda. E em meus irmãos, idem. De que adiantam os dias se estou longe de minhas raízes, meus alicerces, meus entes mais queridos? De que vale o amor do meu companheiro, de que vale o sol e o mar da Bahia, se não tenho comigo as presenças que validam minha vida?
Ligo para Vera, preciso conversar. O melhor de tudo é que não é necessário me identificar, nunca. Ela sempre reconhece minha voz, sempre sabe que sou eu - mas hoje, entre panos e cenários e coisas de teatro (tem uma apresentação e tudo está, invariavelmente, atrasado. E sob sua coordenação - que consciente ou não, traz pra si a responsabilidade de que tudo saia bem.) atende resfolegante, e nem estranha que eu ligue após tanto tempo sem notícias 'palpáveis', e conversamos como se nos tivéssemos falado ontem a noite - mas ela não pergunta, e eu me calo. Sabemos, ambas, que se liguei é porque a saudade era insuportável ou porque precisava desesperadamente conversar. Mas seu tempo, hoje, não era passível de pequenos furtos para mim - o que me faz pensar, mais e mais, no sentido da vida, no que faz diferença, no que tem real valor. Para quem mais, Deus, eu poderia ligar? Cloé, que vi ainda ontem, e que está envolvida em seus problemas tão mais tangíveis do que os meus? Como despejar no colo de minha amiga pré sexagenária meus anseios, minhas dúvidas, meus medos, minhas insatisfações, minhas incoerências e absurdas carências??? Lylia, tão longe, e tão longe...??? Como ligar para de repente, e transatlanticamente despejar sobre si minha incompletude, minha finitude, minha indefível busca por algo que nem mesmo sei o que é? Cláudia, que também conhece esta minha sensação de infinita busca e insatisfação??? Melhor calar. Melhor guardar pra mim isto que nem mesmo sei definir, e que me hoje me consome sem que possa amenizar seu efeito, sua dor, sua marca.
A morte traz uma nova perspectiva sobre a vida.

domingo, setembro 20, 2009

Do fundo do baú...


Sobrevivem em mim
sonhos de infância
(renitentes)
de ser feliz.
Pelejam emoções diversas.
Ainda que capenga,
a alegria (resiliente)
não se entrega.
Permanecem ilusões
(sentimentos rotos)
de inocência, pureza,
amizade azul.
Sonhos, quantos assassinados!
No preciso instante
em que os abandonei
pela vida direita,
respeitável e digna,
de gente grande.
Sei que, procurando bem,
hei de adivinhar algum
solitário
insolente
à espera do herói
que o virá libertar
de sua prisão.
Vã ilusão.
Coragem (ousadia?)
não vem à cavalo.
Não é príncipe encantado
que vence os dragões
as bruxas
os perigos e sortilégios.
Coragem é herói solitário.
Nasce
e cresce
em cada um.
E meu sonho
-sobrevivente-
se mantém
à espera do dia
em que
eu permita crescer
tal herói em mim.

quarta-feira, setembro 16, 2009

Desabafo (pequeno, pro tanto que eu gostaria de falar)


Na segunda feira, depois de estar longe da net por todo o fim de semana, começo a ler o post no Pipoca e Coca Cola, que penso a princípio ser da primogênita - a caçula tem deixado o barco à deriva. Mas aos poucos vou me tocando que não - é Maya quem escreve sobre Escolhas e Responsabilidades - um texto grande, que não me surpreende (é típico dela esta maturidade e estes questionamentos), que me deixa curiosa (sobre o fim de semana interessante e conversas e constatações), me encanta (Não quero mais fazer promessas. Eu vou tentar...), me faz questionar meu papel de mãe/educadora/mentora/amiga/companheira/... (E é exatamente disto que eu estou falando: de responsabilidade... E é aqui que eu encaixo a palavra que realmente falta na minha vida: disciplina), me faz pensar. Propositalmente não faço comentários.
Vou ao google buscar algo que li há algum tempo, e que alguém, em algum lugar, me havia comentado, que é a questão de interesse em muitas coisas, curiosidade em saber, ânsia por conhecer simplemente para saber, de inteligências múltiplas e não encontro. Mas penso em tantas vezes que tanta gente elogiou minha filha e sua inteligência, e penso na dificuldade em "escolher" um caminho profissional - tantas as áreas afins, penso na facilidade em aprender e assimilar conceitos e conteúdos de difícil compreensão para os colegas da mesma idade... e lembro de um papo com César, ex-professor seu, no almoço do meu aniversário: "o Fulano (professor de matemática) ficava muito indignado! Ele chegava pra mim e dizia: Cesar, é impossível! Faço uma prova super difícil pra pegar aquela menina prepotente e ferro toda a sala, mas ela se sai bem, não acredito!"
E aqui entra a segunda parte do que quero falar.
Leio hoje o desabafo no Insensato Pensamento, e me questiono sobre o que originou este post (Eu não me acho superior a ninguém). E penso na pessoas que tantas vezes não entendem as outras. Ou tem dificuldade em simplesmente aceitar aquilo que está além do seu entendimento. Ou tem ciúmes/inveja/medo do que não compreendem/sentem/conhecem. Se você tem sede de saber apenas por curiosidade, por saber, você é prepotente. Se você tem facilidade em aprender, você é arrogante. Se você se questiona sobre o mundo como é e pra onde vai, você é soberbo. Se você não gosta de arroz e feijão como todo mundo, você é metido. Se você não segue o fluxo e questiona, você é insolente. Se você tem idéias próprias, você é pomposo. Se você gosta de ler e foge do lugar comum, você é metido. Se você, além de tudo isto é bonito (mesmo que não seja a Angelina ou a Halle ou a ZetaJones) e pertence a uma família de nível intelectual/cultural/econômico um pouco (só um pouco) acima da média e ainda por cima comete o pecado de ser amado e aceito incondicionalmente por esta família, aí, meu caro, você é inaceitável.
E de alguma maneira tem que ser perseguido, combatido, aniquilado, reduzido a pó. Não, isto não faz com que estas pessoas se tornem mais inteligentes, mais cultas, mais conscientes, mais ecologica/politicamente corretas - mas faz com que elas não vejam através de você a pequenez de si mesmas, a mesquinhez em que estão mergulhadas, o egoísmo em que se deixam absorver, a inércia de seus sentimentos, a mediocridade de suas vidas.
Por isto urge diminuir através de comentários maldosos, brincadeiras mesquinhas, atitudes desprezíveis e pequenas o que você é - porque é inadmissível que você seja assim só pelo prazer de ser você mesma e ter seu lugar no mundo. É inadmissível que você possa pensar em ser feliz enquanto estas pessoas de mente tacanha não conseguem vislumbrar em suas vidinhas parvas um caminho pra si mesmas.
E fico triste ao pensar que estas pessoas conseguem despertar estes sentimentos (Eu sinceramente não queria ser assim/ Eu gostaria de ser alguém normal/quanto mais eu me procuro, mais decepcionada eu fico, e minha tristeza é real/ eu fico colocando e tirando tantas máscaras diferentes o tempo todo que eu nem sei qual é a minha verdadeira identidade). A mim, o que me preocupa, é que pessoas especiais não tenham consciência de que o são. Preocupa-me que pessoas menores influam em pessoas maiores (principalmente quando a grandeza está na inconsciência deste fato). Preocupa-me, muito, que pessoas que sabem que a verdade de cada um é única, indivisível, impermanente e mutável tenham suas convicções abaladas pela massa dos lugares comuns - porquê apesar de o mundo ser movido pela massa, são os indivíduos que fazem a diferença. E por mais que corra o risco de me imputarem soberba, confesso aos quatro ventos em letras maiúsculas e megafones virtuais o orgulho imensurável do ser humano benignamente sobranceiro que minha caçula é - por mais que algumas almas sujas tentem convencê-la do contrário. E tenho dito.
(Maya, não me venha com churumelas: tá te faltando colo de mãe pra você lembrar o ser especial que é. Tô chegando!!!)

sexta-feira, setembro 11, 2009

Cotidiano, again


Chego em casa, sempre, depois das sete. Tá, às vezes, mais raramente agora, depois das nove.
Aí vem todo o ritual particular: tirar a roupa; ligar o som (nos últimos dias, IRA. Mas pode ser Ney Matogrosso, Maria Rita, Vitor e Leo, Legião, quase tudo - menos pagode ou qualquer outra música baiana, e rock pesado); me jogar no sofá olhando uma revista ou um livro; tomar banho; providenciar comida; assistir aos últimos capítulos de Caminho das Indias (confesso: a surra de Cristiane Torloni em Leticia Sabatela foi decisiva pra minha rendição!) comendo... me largar sem pressa, sem compromisso. Se dá vontade, lavar a louça, organizar algo pendente. Se não, ligar o computador, conversar com filhos, amor, irmãos, mãe... e por último, navegar ao léu um pouco. Aí já é quase meia noite - o que me força a parar no primeiro ou segundo blog descoberto, com a promessa íntima de que no outro dia vou voltar pra conhecer todo o conteúdo que, à primeira vista, me agradou - nunca cumprida, claro. Mas o sono, ultimamente, não vem. É quando me dá vontade de escrever e escrever e escrever, e as histórias e os textos pululam em minha mente, mas me forço a permanecer deitada (amanhã é sempre dia útil, e tenho que levantar cedo), esperando o sono chegar.
E aí já é outro dia, que começa devagar mas termina sempre igual. E sempre incompleto.

quinta-feira, setembro 10, 2009

Os sons do dia começando invadem o quarto, o ouvido, o cérebro.
A marisia chega junto, e se instala como só ela sabe, dentro de mim ao lado da fadiga.
Mais uma quinta feira de azáfama e labuta.
...
29 dias me separam das férias.
...

terça-feira, setembro 08, 2009

Estudo sobre embriaguez

Leio e releio o poema de minha filha. Pergunto-me se seria capaz de fazer um exercício igual...e pelo menos tento.Menos deprê... mas não tão bom. Mas valeu o exercício:

Vamos beber qualquer coisa
que a lua avança no mar
e há salobros fantasmas
que não quero visitar.
Embriaguemo-nos pois
de doçura, encanto, ilusão
que assim são feitos os sonhos,
a vida e seu condão.
Vamos beber qualquer coisa.
O que for. Vamos beber.
Não interessa se depois
a ressaca venha nos contender.
Então os fantasmas já se terão ido,
longe, onde não se pode visitar
e na lua sobre o mar o sentido
de viver a vida e sonhar.

segunda-feira, agosto 31, 2009

Antes ser a outra?


Surpreendo-me ao atender o telefone e ouvir a voz de Flor - afinal, ela deveria estar viajando. Quando nos falamos na última vez estava esfuziante, animada, transbordando alegria. Alegria demais, como comentei então. "Nina, você é sempre assim, vê coisas onde elas não existem! Não, não estou triste. Sim, está tudo bem. A vida é bela, amiga, e o amor é lindo. E vamos, Moreno e eu, passar o fim de semana em Maceió, namorando, curtindo a praia, o amor, um ao outro. Não queira estragar isto, ok? Não me critique, não me questione, me deixa ser feliz!" E desligou o telefone pra terminar de arrumar a mala, ir ao salão, se preparar, enfim, pra um fim de semana idílico com seu amor de longa, longuíssima data. Isto aconteceu na quarta feira, há dois dias.
.
- Oi, Flor! O que aconteceu? Você não deveria estar em Maceió???
- Ah, Nina... preciso taaaaaaanto de você... não diga nada, por favor, não suportaria... preciso de alguém que me ouça, que me entenda, que me dê colo...
Então, algo deu errado. O que ela não percebe é que eu não consigo entender, que mais que ouvi-la queria que ela me ouvisse, que só ofereço meu colo em nome de nossa amizade, ainda mais antiga que este romance absurdo que se tornou o centro de sua vida...
- Não chore, Flor. O que aconteceu?
- Não fomos, Nina. Deu tudo, tudo errado. O peste do Pedro quebrou o braço num jogo de futebol, e pediu que o pai ficasse com ele, e você sabe como Moreno é louco por esse menino, faz tudo o que ele quer...
Ai, ai, minhamiga, minha querida amiga. Moreno é louco pela família dele - esposa, filho, filha. E é isso que eu queria tanto, tanto que você percebesse, a fim de que pudesse buscar, enfim, ser feliz - e quem sabe construir sua própria família!
- Acidentes acontecem, Flor... são coisas fora de controle, não são planejados...
- Ah, mas eu tenho certeza que aquela bruaca da mulher dele desconfiava... ela deu um jeitinho de atrapalhar tudo, eu sei!
- Flor...
- Ah, Nina, vem aqui em casa, vem... por favor, por favor, por favor!!!! Preciso de você, amiga, preciso tanto!
.
Abre a porta com olhos inchados e vermelhos - sinal de que já esgotou um tanto da dor nas lágrimas derramadas. Coloco no chão as sacolas de mercado e abro os braços pra acolher esta minha amiga tão querida num abraço que busca aquecer seu coração, lavar sua alma, aliviar sua dor...
- Vai, vai tomar um banho daqueles de lavar a alma. Olha, eu trouxe aquele sabonete energizante que você gosta tanto... vai, não discute, enquanto isto eu vou arrumar algo pra gente comer - mesmo que você não tenha fome, lembra que eu trabalhei o dia todo e tô faminta! E você vai comer comigo, afinal desmarquei meu jantar com Amor pra ficar com você, não vai me deixar comer sozinha agora!
Sei bem como agir, afinal não é a primeira - e infelizmente não será a última - vez que venho socorrê-la num momento assim, o que me dá know how suficiente pra agir com segurança e desenvoltura sem medo de feri-la ainda mais. Amor também não consegue entender como é que ela, uma mulher bonita e independente, fica refém desta relação tão desigual e infrutífera - mas entende que ela é uma grande amiga, que precisa de mim, e vai pro jogo de poquer que sua galera do trabalho marcou hoje à tarde, quando já tínhamos combinado um jantarzinho romântico (chego a desconfiar que com uma alegria um pouco maior do que a desejável)...
Enquanto ela se arrasta para o banheiro, vítima infeliz relegada pelo amante a segundo plano, lavo a louça na pia, coloco o sorvete e o vinho no freezer, a pizza no forno, não sem antes procurar o CD especial que gravei em seu último aniversário... Ivan Lins cantando Vitoriosa é o fundo musical pra melhorar o seu astral, depois Ney Matogrosso, Skank, Cidade Negra, uma seleção sui genêris e especial pra minha amiga...
Vinho, pizza, música, sorvete - e meu silêncio, que hoje é dia só de ouvir, não de falar. Deixo que ela desabafe, que derrame as poucas lágrimas restantes, que se perca em autocomiseração e ofereço meu colo, meu abrigo, a amizade de sempre e a paciência -agora rara. Acomodo-a na cama, embriagada em abandono, tristeza e vinho, e vou ao filme que tinha locado no horário de almoço, "odeio o dia dos namorados". Nada mais adequado.
.
Sábado pela manhã Flor se levanta tarde, de ressaca. Olhos inchados, olheiras, pele sem viço. À mesa já um café da manhã de sábado: fruta, suco, ovos, aipim, calabresa, torradas. Ela vem arrastando os chinelos, ombros caídos, senta-se diante de uma xícara de café quente e me olha com aquele jeito de quem pede clemência, não, não fale nada, eu não mereço ouvir. Ah, merece, Flor. Merece sim. E vai ouvir. Este é o preço - tudo na vida é troca, tudo tem preço, não tem? Até a amizade.
- Não entendo você, juro. Eu tento, tento mesmo, do fundo do meu coração, mas não consigo entender - tampouco aceitar - o que você faz consigo.
- Não, Nina. Agora não. Por favor, dá um tempo.
- Sinto muito, Flor. Não dá pra esperar. Há quanto tempo você vive esta situação, mulher???? São dezoito anos, uma vida, complentando maioridade! Tá na hora de você adquirir juízo!
- O que eu posso fazer se o amo?
- Ama? Ama mesmo? Que amor é este, maior do que o que sente por si? Como é que você quer que ele a ame, se você não se ama?
- Pra você é fácil falar, Nina. É linda, bem resolvida, tem Amor a seu lado, que faz tudo o que você quer, que está sempre com você, que chega a dar inveja do fato de vocês serem, por vezes, odiosamente felizes!
- Flor... pára. Não é essa a questão - e você sabe. Você é linda, é independente como eu... e eu e Amor nos conhecemos e construímos uma história um com o outro...
- Mas eu também! Também eu construí uma história com Moreno, e uma história linda...
- Que história linda, Flor??? Ele tem outra história, é casado, CA-SA-DO, tem filhos...
- Amor também tem filhos!
- Sim, Flor. Amor tem filhos, e eu também. Mas de outras histórias, que aconteceram e acabaram antes de nos conhecermos... quando volto pra casa à noite, ele está lá, ao meu lado. Em nossos aniversários - de nascimento, de relacionamento - estamos sempre juntos pra comemorar. Ele está comigo nos natais, nos reveilons, nos dias dos namorados e em qualquer momento que preciso... é meu companheiro de verdade, amiga. Moreno nem ao menos seu aniversário passa com você!!!!
- Ah, mas que culpa ele tem se a filha faz aniversário no mesmo dia que eu????
- Até quando, minha amiga, você vai buscar desculpas pra justificar o egoísmo dele e sua infelicidade??? Quantas vezes isso já aconteceu antes, Flor? Quantos foram os planos abortados porque um filho se machucou, porque a sogra chegou sem avisar, porque os cunhados vieram passar o fim de semana de surpresa???? Quantos natais sozinha, sem ele? Quantas vezes você precisou dele ao mesmo tempo que a mulher, e ele nem titubeou em deixar você se virar só? Não vou mais, prometo, falar de princípios morais, de como sua mãe se sentiria se descobrisse, de como sua família reagiria... não tenho mais estes argumentos, acabaram. Mas não dá pra ficar olhando calada você se acabando.. Tem quarenta anos, minha amiga. Abriu mão de filhos, de carreira em outro estado pra ser a outra... e o que ganhou com isso, além de momentos fugazes com ele??? Sei que acreditou que conseguiria um dia, tê-lo pra si... que investiu nisso esses anos todos... mas não tá na hora de pensar um pouco em você??? De buscar ser feliz??? Não tá na hora de parar de se contentar com migalhas, Flor?
- Eu o amo... não sei viver sem ele, Nina.
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Que triste olhar esta pessoa que amo tanto, esta mulher linda e bem sucedida profissionalmente tão entregue assim. Lembro de como um dia de bom humor ela me contou, rindo, sobre uma sua comunidade no orkut: "antes ser a outra do que ser a trouxa" - e penso, tristemente, se ela se deu conta de que desempenha os dois papéis títulos aí...
Sei que não adianta falar - esta é a escolha que ela fez, ser a outra, se contentar com migalhas, com o anonimato, com encontros furtivos, com viagens esporádicas, momentos efêmeros que sustentam um sentimento incompreensível pra mim - e talvez seja esta, afinal, sua maneira de ser feliz - viver em preto e branco olhando outras vidas em cores - afinal quem disse que preto e branco não tem sua beleza???
Triste maneira de ser feliz.